quarta-feira, 31 de julho de 2013

Na Madrugada

É no seio da madrugada 
que há pensamentos soprados 
quando tudo está fechado, 
sem entrada para os ratos...

 Bem no meio da madruga 
que então vejo retratos, 
observo negativos 
no obscuro do meu quarto... 

 E no fim da madrugada 
adormeço no entanto, 
quando o dia dá as claras 
e dos pássaros ouço o canto... 

 Em vista da matutina 
ouço o relógio soprano, 
depressa levanta a menina, 
sem ela e ainda sonhando...





terça-feira, 16 de julho de 2013

Gente

As armas que temos inapropriadas para uso e delas não desfazemos. Andamos vestidos de EU, esquecidos de que no mundo não somos únicos. Viventes de um território apache, prontos para revanche ao menor ataque, ainda que os tiros não tenham como alvo a pessoa de nós. E tudo porque a consciência faz o atrativo a sermos atingidos. A gente ouve uma conversa lá meio sem noção, pegada de carona por entre vãos e confunde como um palavrão, pega no ar uma sílaba mal ouvida, não muito clara e pensa ter ouvido o nome que se nos declara. A gente ouve falar de palhaço e já se vê no circo em malabarismo meio desgovernado e se perturba a achar que estamos certos, sem admitir estarmos errados. Nem mais aguentamos um sol de meio dia e sob ele adentramos a se queimar. Somos mesmo engraçados, nunca ajeitados na poltrona de espera, olhar atento e ouvidos ligados e quando vem o atendimento, já tão desgastados, não ouvimos com atenção as coisas que nos chegam, porque jaz atormentados. Somos assim, aquele fogo que balança num pavio de vela e ao menor vento a gente nem se vê, quando então apagados. A gente não vive da oportunidade de cada momento e sim um ponto confuso, morto e sem ação, pensamos um dia na hora da partida, quando sem saber partidos estamos, quebrados e sem emoção. A gente é gente, mas não vê a gente que está as voltas de nós, colocando de qualquer jeito um invisível à frente, no meio da voz e conversa com ele displicente como que bafejando uma dispneia, como se cansados de correr atrás do que não se sabe, o quê? Pensamos que vivemos, sem saber viver, temos um vide bula, mas somente reparamos após digerido o mal a efeito de causa. Dizemos viver esquecidos, que a idade confiscou a memória, mas não nos damos conta, que apenas não registramos uma e outra informação, porque ligados estamos em outra questão, batendo em tecla permanente, uma só nota, estribilhando canção... É de fato somos palhaços de nós mesmos, sem percebermos ridículos pelas nossas ações, o que deveríamos até achar graça e se fazer em riso a situação, porque a viagem é de pura adrenalina, todo o desconhecido é desafio ao que nos subestima. Somos capazes das viradas, mas temos medo de errar esquecidos que tudo é um parque, cujos brinquedos se nos despontam para leva-los na maciota ou faze-los sérios demais e o que importa, senão risos, relaxar os neurônios sem pensar em riscos, como uma tintura nos cabelos e tão cedo não esbranquiçar. A vida de fato é muito engraçada e há que se saber levar, pois que os autores somos nós e no momento da partida, apenas teremos que assinar, pois que foi assim que a fizemos, o novelo que desenrolamos, apressados ou pacientes, foi assim e não temos o porquê de reclamar...






quinta-feira, 11 de julho de 2013

Impressionismo

Era uma mulher de capa amarela 
De resto eu não sei contar, 
mas que fez toda uma diferença, 
sem misturas a enganar... 
Pateticamente mórbida, 
uma incógnita, frente ao olhar 
e quem por ali passasse, 
nada tinha a decifrar... 
Seu nome, ninguém sabia, 
nem nunca ouvira falar, 
sequer algum trocadilho 
tinha aquela simetria 
moldada de curvas 
que nem o tempo, 
tinha o por quê de registrar... 
O cronômetro não lidava 
e impressões não se tinham 
porém, parecia de verdade 
aquela figura sem linhas... 
Até que um toque se ouviu 
de um tal Senhor chamado, 
no dito que era passado... 
E nada mais vi, daquele museu, 
porque ali fiquei extenso num tempo, 
que não era meu 
e o que ninguém viu, 
foi quando ela levantou 
e de lá saiu....




sexta-feira, 5 de julho de 2013

(IM)Paciência...

Paciência mudou de nome, 
 de cara e de costume 
e também de lugar, 
uma boa mudada no visu 
mandando tudo ir as "favas" 
e sem ter porque voltar. 
Paciência se cansa da espera 
sempre apressada 
porque o tempo urge, 
palavras já não dizem nada, 
e todo distante é vislumbre... 
Paciência ensejas linhas retas, 
pois as curvas são indecisas, 
que a estrada esteja aberta, 
estreituras não arrisca... 
O tempo da paciência, 
por vezes é hora contada, 
nos clic's da consciência 
a espera é limitada...