quarta-feira, 25 de julho de 2012

Peraí (Espera)

Peraí trás consigo segredos, com seu enorme novelo a desenrolar. Tem um jeito curioso, expectante ao povo, na forma de se ocultar e o seu lugar de morada, ninguém lhes conhece a estrada, nem quando há de mostrar; o seu tempo é tão incerto dia e noites corrediças sem ver a hora passar. Não dorme, mas reza a missa, parece sempre a [esperar]... Talvez tenha ele desejos, café com pão, doce e queijo, mas no silêncio emudece, por vezes até esmorece quando um ponto no olhar... Peraí tem revelia e tem pronto os pés no chão, vê as vezes das marias e também as do joão, faz da balança seu guia, do peso tira a razão...
Quem lhes conhece a fundo, sabe bem não ser omisso, nos olhos tem cachoeiras, nos ouvidos tem sussurros, nas falas tem natureza expressões de gritos mudos, a comungar as certezas quando cético e as vezes surdo... O seu pensar vai além da [espera] em condição, quando grilos irrequietos buscam pressa em questão...
Peraí não exaspera  enquanto trabalha o novelo, conferi comprido caminho com ventura e desvelo e mormente segue o tempo confiante em seu acervo a traduzir os porquês...


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Caixinha de Ilusão...

A caixinha de ilusão
despencou, se abrindo ao chão
os sins todos se perderam,
restando apenas os nãos
os limites se enroscaram
numa grande confusão
e o anseio num suspiro
pediu libertação...
Coração jogou-se ao longe
abraçado a solidão,
enquanto a esperança aflita,
segurou o medo com as mãos...
De pronto o barulho estancou,
por imposição do silêncio,
a angústia a seu tempo
depressa ao sonho voltou...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fechado para balanço


Fechado para balanço,
no vai além, no vem insano
freio que não se tem...
Voo que não avanço,
quedas em que não descanso,
tensão a cem...
Limites que prismo
pulos em que não arribo
e que por tal, arrefeço
porque sem direito me instalo
e me deixo,
pelo vento sombrio...