quinta-feira, 29 de março de 2012

Porque não canso de chorar...

Choro porque sou triste
porque o intenso não domino
quando o tempo é só um momento...
Porque a vida é uma linha fina
cortada pelo vento,
a inibir o abano das asas,
esmorecida e sem sustento...
Choro porque tudo se acaba, a alegria
é grande, o instante é pequeno,
e o teatro abaixa o pano...
Os regatos são lamentos
frios desvios, enregelados pelo tempo
e eu choro porque não aguento...
Choro porque sou irrequieta,
pois que a vida escravisa
e não permite a festa,
impondo freio a carruagem
quando não quero esperar...

Então eu choro,
porque não canso de chorar...

Li@petitto

sexta-feira, 23 de março de 2012

Encontros

Sorrisos largos, um canto
a outro dos rostos,
um salto para o abraço gostoso,
pendurada num pescoço...
Olhos minados da alegria,
fala presa na garganta,
a expressão da atitude que
se agita feito criança...
Noite alta em céu risonho
a lua dançando tonta
realizando o sonho,
como aljôfar profuso pronto
em fervura de sais
e a natureza comunga
nas relações que circundam,
os encantos madrigais...
Vozes em coro canto,
sussurros materializando,
as solturas dos ais
e as maitacas traduzem
gritando em bando, alhures
quero mais, quero mais...

Livinha

domingo, 18 de março de 2012

Espelhos da'lma...

Oh alma, como queria ver
o teu rosto,
o que não conheço, o original,
o que no espelho eu vejo,
é o meu e não o teu, o temporal...
O que sei é dos teus feitos,
os defeitos e virtudes,
mas da tua cara nua,
desconheço e me desculpe...
És eterna viajante, a antiga secular
penso até semblante rude,
nas trocentas ida e voltas
para lá e para cá...
Tua moda é a genética sem poder
de dialética para saber explicar,
porque sois desmemorada,
das tuas páginas viradas,
que já não sabes contar...
Nossas falas tem "eumismos"
dois bicudos que se bicam,
jeito engraçado da oposição,
é de mim a tua cara nessa andança
de agora e então?...
Que respostas falarão dos mistérios
que não sei nesse meu encafifar,
a te crer em transparência,
razões de causas precisas no
tempo a se depurar...
E as que hoje orbitam o espaço,
almas sem rostos, sem traços,
serão Luz a se perpetuar?...

Livinha

quarta-feira, 14 de março de 2012

Quem és tu?

Aos amigos e a você que me visita
poetas ou não, pelo dia da poesia
que nos embala de sonhos em suaves
canções...
Já me falaste não ser mestre
e me inspiras a escrever,
me sabes, bem me conheces
a compreender meus porquês
Apareces em tempo incerto,
quando estou num tal inferno
com a cabeça em confusão...
E sem que eu menos espere,
exibes tuas silhuetas
e com disfarces suaves
na mão me prende a caneta...
Relampeias teus ditados
causas que não se demoram
jorros do que eu não falo,
espasmos a botar fora...

Com espanto, solto a caneta
e lhe faço indagação,
não és mestre, não és tia
quem és tu que me alivia?

-Da vida, sou tua essência
sou de ti a POESIA...

Livinha

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulher...

Nos trejeitos tem segredos
não se sabe o que ela quer,
mistérios em laços desfeitos,
luas de bem-me-quer,
que outro nome perfeito,
senão de uma linda Mulher...
A menina feiticeira, intensa
e maliciosa, na noite namoradeira,
ao sereno entrega a rosa,
o matreiro em dia seguinte, realça
ser dela o Sol
e ela cativa e fecunda,
se exibe em seu arrebol...

Livinha


Selinho pra você!