quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A vida é surpreendente...

Disseram-me, que lá na frente  do caminho,
estaria alguém um dia, a me esperar
debochei, caí no riso, ha! ha!
mentira, encontro marcado não há...

Disseram também, que o amor
acontece e que não tem como escapar
sorri de novo, ha! ha!
em casa, ninguém me achará?

E blá, blá, blá, continuaram a dizer
foi então que fiquei brava,
é difícil acontecer, quando um
não quer, dois não abraçam...

Arriscaram então um palpite
tipo aqueles de censuras
que língua nenhuma tem osso
e a vida, é surpreendente ventura...

Por fim, dei um basta na conversa,
buscando trocar de caminho,
tranquei a vida e sem festa
aconcheguei-me no ninho...

Meu coração estava partido
e eu tinha vermelhos retalhos
refaria uma outra metade
seria assim, o meu atalho...

O âmago em charco, quão doía
e ao Sol, pelos dias o secava,
mas nas noites frias não dormia
no meu leito ele sangrava...

Certo dia em meu caminho,
encontrei pegadas no chão,
estava triste e sozinha,
querendo um abraço de irmão...

Deparei-me com um andarilho
com sua metade na mão,
sorrindo, colou sua parte a minha
e nos dividimos em um só coração...

Livinha

sábado, 21 de janeiro de 2012

Não, eu não pensava...

Eu não pensava em crescer,
queria ser grande apenas
sem perder coisas pequenas,
as tamanhas da pureza...
Coisas de minhas lembranças,
ondas, espraiando danças,
prateando a natureza...
Tudo era colorido, raios de sol
douravam sorrisos, cantos
das águas "chuavam" bemol...
Saudades de um dia,
da infância tão querida
que os anos deixaram por lá...
Quisera pudesse agora,
voltar no tempo em memória,
minha menina buscar
sem mais razões a chorar,
passado que é minha criança,
sorrindo sempre a brincar...
Ah, doce infância querida
como gosto de você,
horas boas, bem vividas que
eu não pensava em crescer, 
e agora, nesse meu jeito disperso,
sem nada poder fazer...
Nostalgia é ferida, por vezes
vem pra doer...

Livinha

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vivendo e aprendendo

"Eu aprendi que só tenho condição de estar bem com os outros se estiver bem comigo mesma...
Que se eu olhar com sensibilidade para o problema de meu próximo, perfeitamente capaz serei de compreendê-lo, pois na essência, somos todos iguais ou muito semelhantes...
A considerar sempre o contexto da situação...
A tomar cuidado com as palavras...
Que muito do que critico, infelizmente (ou felizmente) também existe em mim e é o que me possibilita a empatia...
Que o remorso é o mais torturante dos sentimentos...
Que a minha família é o meu maior tesouro...
Que rigidez ou cobranças, na grande maioria das vezes não ajudam, mas pioram o estado de uma pessoa... E que acolher, compreender e orientar delicadamente não significa passar a mão na cabeça...
Que por trás de um corpo, uma roupa, uma atitude, existe um ser humano, tão repleto de sentimentos quanto eu...
Que passamos por vicissitudes justamente para nos tornamos pessoas melhores, mais fortes, mais humanas e sensíveis...
Que o que há de mais belo na vida eu não enxergo com olhos físicos, muito menos registro com filmadoras ou máquinas fotográficas...
Que sou ajudada ao ajudar...
Que não devo dizer "Nossa, eu não faria tal coisa". Afinal, nossas imperfeições ainda são imensamente parecidas, nossas reações não são previsíveis.
Que subestimar o problema alheio é ignorância... O que não é doloroso pra mim, pode ser doloroso pro outro na mesma intensidade do que dói em mim...
Que antes de me abalar com alguma agressão ou atitude desagradável vinda de outrem, devo me questionar se não há algo de errado com ele, se o problema dele não pode ser maior que a minha mágoa orgulhosa por ser maltratada...
Que também posso ser muito agressiva quando não estou bem!
Que perdoar, por mais difícil que seja às vezes, é grande fonte de paz e alívio para o coração, ao contrário da raiva e do rancor...
Que compreender às vezes é diferente de sentir...
Que me decepcionar, mesmo se tratando de um sentimento reflexo, involuntário, também é ignorância... Afinal, somos todos imperfeitos, limitados e falíveis... Que todos já decepcionamos alguém um dia e que ainda decepcionaremos muito...
Que posso ser humilde e reconhecer que aquela atitude que julgo péssima também poderia/poderá ser minha um dia...
Que eu não serei perfeita da noite para o dia, mas que uma atitude/situação diária, se possível duas ou mais, já me torna um pouco melhor...
E que brigar comigo mesma por ser imperfeita é inútil, só me angustia e me estaciona...
Que devo respeitar os meus limites e imperfeições...
Que não custa nada prestar atenção na natureza por pelo menos alguns minutos todos os dias... Seja para uma flor, para uma criança, para o céu, para o mar, para um pássaro, para seu cão de estimação, para sua família, para você mesmo...!
Que posso errar com alguém e me martirizar muito com isso, mas que isso pode servir de lição para eu agir diferente com outros...
Que as mais belas relações são aquelas em que podemos ser nós mesmos, ainda que ocorram desentendimentos efêmeros...
A respeitar uma idéia divergente da minha, mesmo sabendo ser um exercício difícil. E entender que a errada pode ser eu, por mais convicta eu esteja naquele momento que não...
Que não existe felicidade plena... Você pode ser e ter tudo o que sonha, mas não será de todo feliz, pois ao lado sempre haverá alguém infeliz...
Que não podemos mudar o mundo sozinhos, mas juntos, cada um dando sua parcela de contribuição...
Que somos todos luz e trevas... Que se eu aprender a olhar mais para a luz de cada um, esta aumentará e também a minha... Observar trevas é perda de tempo... Faz mal ao outro e mais ainda a mim.
Que ternura e bom senso são essenciais...
Que um coração compreensivo é delicioso...
Que por mais sozinha e incompreendida eu me sinta numa dor, boas companhias aliviam...e que Deus está comigo, sempre, e Ele é a minha esperança!"

(Mônica Apetitto)

Nota: O texto postado não é de minha autoria conforme fiz comentário. Mônica é minha filha, 23 anos atualmente cursando o ultimo ano de enfermagem... Obrigado a você que me visita...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sofreguidão...

Angústia que me castiga,
seja noite ou seja dia, sem
me apontar distração,
o tempo se mostra estranho,
domina-me de jeito tamanho,
faz doer meu coração...
Já não comando meus passos
sou presa da situação,
meus nervos não são de aço
respiro sofreguidão...
Onde está meu livrearbítrio,
me disseram que eu teria,
vivendo dessa agonia,
liberdade é ficção...
Oh vida, tu sois ingrata, não
pondo as horas em minhas mãos,
quero o toque da virada, quero
vinho e emoção...
A paragem me sufoca e a espera
aqui me trava,
paciência é o que me falta,
por loucura de minha'lma que
está apaixonada...

Livinha