sábado, 8 de dezembro de 2012

Que nome tem?

Que nome tem
essa andança de agito,
passos as voltas em discos
que não conseguem parar...
Que nome tem
coisa que sobe e desce
faz lembrar o que não esquece
que não sabe sossegar...
Que nome tem
uma loucura que se diz normal
não se define etc e tal
se contradito, é anormal...
Que nome tem
nudez de mim assim confusa,
vezes mansa, vezes brusca
no extrapolar da minha razão...
Que nome tem
uma certeza duvidosa,
hora espinhos, hora só rosas
espeta e beija meu coração...
Que nome tem
esse sorriso que as vezes chora
nas noites quentes, como fria agora
a me sangrar o peito tão e sem demora...
Que nome tem...
se é um bem,  e não alguém
Eu sou ninguém...



 
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cotidiano

Já não plano, nem conclamo, tudo igual permanece, nada diferente, porque se sente que não acontece. Dias e noites iguais não perecem e nem divergem e o dia seguinte se repete... O que se muda é a ordem dos fatores, uma pitada de açúcar pra enganar os açoites. Presente? Apenas alguns segundos, vez que passam de repente em tempo suficiente de desfazer o embrulho... Futuro? Quem os tem? Coisa enganosa, obscura, uma garrafa de bebida ansiosa que aos olhos subestima e desfigura... E o passado? Aquele amigo permanente que consola meus momentos descontentes, sempre ouvinte das falas mudas e por nada pergunta, compreende e sabe exatamente o filme que se deve passar a essa alma copiosa de amargura... Deixe, deixe que eu me deixo pausadamente em cada dia, por um novo presente, desembrulhando sem expectativas, sem nada saber do que me seja surpreendente... A roupa que visto não me pertence, nada é meu verdadeiramente... Da escola da vida, os valores de conquistas são meus ganhos, simples discente que sou desse divinal tamanho...
 
 
 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Folha seca...

Sim, fui germinada
e por um tempo nascitura
depois parida
nesta vida de ventura...
Ah, então cresci, amor eu fiz,
fui serviçal,
amor eu dei, também parir
foi natural...
Nas outonais, amarelei
caí do pé e divaguei
senão mulher
de um vento gélido
contido sexo,
porque minguei...
Sou folha seca
que no ar se deixa,
a céu aberto
pois que nada importa
quando o amor
não está por perto...
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Brinca criança!

Vai criança, corre e canta
a vida é sempre menina
te convidando a brincar,
namore com sua infância,
se encontre com a esperança
há muito o que reinventar...
As relvas doce balançam
há céu azul no olhar
e a passarada se encanta
no seu canto assobiar...
Nas águas réstias douradas
fagulhas d'ouros do Sol
brinca criança na ribeira
se enrubesça no arrebol...
No telhado passa o gato,
fica o tempo e o timoneiro
no pensar imaginário,
soltas asas dum viveiro...
Na menina sua passagem,
no seu mundo a fantasia,
inspirações de viagens,
os sonhos refletem seus dias...
 
Brinca criança e sejas feliz
que as estrelas a ti conduz
aclara o lúgubre com giz,
que o seu amigo é Jesus...

 
 
 
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Achados e Perdidos

Nos entulhos do meu íntimo 
tem achados e perdidos 
um mundo de trocadilhos 
que nem mesmo sei contar... 
Coisas que desconheço
 outras até esquecidas, 
empedradas de marejos 
as que deixo para lá... 
Os perdidos são sobejos 
os achados são lampejos 
e  entre botões de mim mesmo, 
a mais dura incerteza 
que há tempo de recomeçar... 
Se nem isto ou aquilo 
incontáveis tantos grilos 
que não param de pular 
como se deles a festa 
a confundir meu pensar... 
Há rascunhos em toda parte,
 anseios de minhas artes 
que não posso ver perder, 
benditas criatividades 
que preciso pra viver... 
Tenho o achado comigo,
 mas o perdido não encontro 
é coisa pra dá em par 
a minha saia é de virgulas 
quero volta-la a rodar...



domingo, 23 de setembro de 2012

O que você anda Lendo?

Leio os dias, leio as noites
também os meus pensamentos
leio as lojas, leio as praças
leitura que não se acabam,
divagantes pelo tempo...
Leio as manchetes antigas,
que agasalham o andarilho,
letreiros velhos sem brilhos,
drogas tantas a estribilhos...
Leio rabiscos, muros e casas
leio números leio avisos,
leio plaquetas quebradas
pelas ruas e calçadas,
nas bocas de lixo, o bicho
Leio tiras de jornais,
e no trânsito os sinais,
no mercado os fabricantes
absurdos ilegais...
Eu leio as coisas mais simples
até mesmo as banais
frases de caminhoneiros
outdoors comerciais...
Leio alertas de perigos
leio juras de mentiras,
leio coisas bestiais
das promessas eleitorais...
Eu leio a dor dos aflitos
de chegada e de partida,
o mito e o veredito
e as esperanças perdidas...
Leio o medo no espelho,
a lamúria de joelho,
leio a causa em desespero,
a escorrer o vermelho...
Leio a tela de cinema,
o dilema, é o tema
leio a televisão
sem o controle nas mãos...
Leio em série os problemas
só não leio a solução,
a pena que se encena,
sem buscar reparação...
Eu leio as horas no teto
eu vejo o veto sentado,
 o humilde suado
sem alimento nem prato...
Eu leio olhares/cegos
em busca de sobrevivência
como leio cegos/olhares
sem nenhuma consciência...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Assim eu juro...

Se tenho que ser pra cima 
quando inexiste alegria 
finjo então que não sou triste 
e divago na poesia... 

Assim eu juro... 

 Juro que sou completa 
da vida  nada me falta 
das rosas trago o perfume 
das borboletas a calma... 

 Não me queixo, tudo aceito 
desconheço qualquer dor, 
o meu semblante é sorriso 
o mundo é de puro amor... 

 Não tenho medo de nada 
porque nada não existe 
meu nome é felicidade 
 sem frescura e melindres... 

 Eu Juro que tudo posso, 
da grandeza, a perfeição 
e não me esquento por nada 
tenho tudo em minhas mãos... 

 Não levo tempo a chorar 
minha vida é boêmia 
trabalhando o meu pensar 
não desperdiço energia... 

levo um jeito descolada 
não sei o que é depressão 
de tudo faço piada 
o meu inverno é verão... 

Juro não saber da saudade 
pois do ontem, esquecida 
meu coração não esmorece 
nem se molesta em feridas... 

 E agora, o que acontece 
quando em dia arrefecida? 
aos anjos eu peço em prece 
cuidem de mim pela vida...


Quem dera eu fosse assim, 
lamento mas eu não sou, 
das rosas, alguns espinhos 
somente uma pétala da flor

Lí@petitto

domingo, 26 de agosto de 2012

Quero-Quero

Quero escrever sem freio 
desenrolar o novelo, 
esmagar o medo, 
 até sangrar os dedos... 

 Quero botar tudo pra fora 
preenchendo cada linha 
do que de mim transborda 
a esgotar essa memória...   

Quero ventilar essa mente 
dar em soltas as ligeirices 
acordar o que está dormente 
sem danos e sem mesmices... 

 E que não falte a tinta na tela 
o bem-te-vi do quero-quero, 
o vivo noturno com olhar de rapina 
e na pauta o THE END que espero...





Li@petitto

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Equidistantes

Não foi miragem ou quimera
 filme dum tempo passar
cenas que se repetem
da primavera surgindo
à outonal abraçar...
Um azul de riso lindo,
na manhã de Sol se abrindo
dum jardineiro a cantar...
E a rosa temporã
na primavera em chegada,
copiosa de calor
logo se desabrochara,
pareceu coisa de eclípse
sol e lua a se moldar...
Não, não é fruto de utopia
o universo a comungar,
como nada impossível
quando o Sol partiu Solstício
sem saber quando voltar...
A natureza revela
canções além da janela,
vento trás por inspirar,
suprasumos equidistantes
anseios de amor pensantes
são giros a se anelar...





sábado, 4 de agosto de 2012

Refluxos

Grilos demais em tampouco sereno
fazendo barulho, de jeito estranho
algo que não traduzo,
porque já não meço em números tamanho.
Serão trocadilhos de indos e vindos,
por fora, por dentro, rangendo vestígios.
Talvez borboletas soluçam operetas
em loucas facetas a morrer de rir,
pelos contos de fadas, histórias encantadas,
a menina acordada sem querer dormir...
Tem escuro no medo,
um fio de enredo malogrado no peito,
uma rústica fria em tino sombrio,
e nenhuma boêmia...
E das coisas tão soltas revestidas de lunas,
a rua era nua e tão nua, era Lua...


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Peraí (Espera)

Peraí trás consigo segredos, com seu enorme novelo a desenrolar. Tem um jeito curioso, expectante ao povo, na forma de se ocultar e o seu lugar de morada, ninguém lhes conhece a estrada, nem quando há de mostrar; o seu tempo é tão incerto dia e noites corrediças sem ver a hora passar. Não dorme, mas reza a missa, parece sempre a [esperar]... Talvez tenha ele desejos, café com pão, doce e queijo, mas no silêncio emudece, por vezes até esmorece quando um ponto no olhar... Peraí tem revelia e tem pronto os pés no chão, vê as vezes das marias e também as do joão, faz da balança seu guia, do peso tira a razão...
Quem lhes conhece a fundo, sabe bem não ser omisso, nos olhos tem cachoeiras, nos ouvidos tem sussurros, nas falas tem natureza expressões de gritos mudos, a comungar as certezas quando cético e as vezes surdo... O seu pensar vai além da [espera] em condição, quando grilos irrequietos buscam pressa em questão...
Peraí não exaspera  enquanto trabalha o novelo, conferi comprido caminho com ventura e desvelo e mormente segue o tempo confiante em seu acervo a traduzir os porquês...


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Caixinha de Ilusão...

A caixinha de ilusão
despencou, se abrindo ao chão
os sins todos se perderam,
restando apenas os nãos
os limites se enroscaram
numa grande confusão
e o anseio num suspiro
pediu libertação...
Coração jogou-se ao longe
abraçado a solidão,
enquanto a esperança aflita,
segurou o medo com as mãos...
De pronto o barulho estancou,
por imposição do silêncio,
a angústia a seu tempo
depressa ao sonho voltou...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fechado para balanço


Fechado para balanço,
no vai além, no vem insano
freio que não se tem...
Voo que não avanço,
quedas em que não descanso,
tensão a cem...
Limites que prismo
pulos em que não arribo
e que por tal, arrefeço
porque sem direito me instalo
e me deixo,
pelo vento sombrio...


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Porta

Os meus passeios têm voltas
são treinos de porta,
abrir e fechar

O meu tempo, longo ou curto
não importa,
pegadas que teimam em ficar...

A minha casa é um vestido rendado
tem curvas dos lados em suas arestas
e na reserva tem um quarto,
o que interessa...

Na minha andança arrasto um número,
refaço meus cálculos e o resoluto
subtraio nos meus saltos...

Por cada retorno o esforço é um traço
a porta se estreita mas não embaraço
um dia eu passo...


Li@petitto


terça-feira, 15 de maio de 2012

Que me valham

Fecho os olhos e no universo propago-me, parte de mim em que antes solitária e sombria, hoje estendida em lençol macio, transparente e claro... Já não estou mais sozinha, há um Sol que me ilumina e na sua luz, eu divago... As palavras me tomam secas na garganta, quando o Sol que me acompanha me enseja a sede, inspirando para que eu me levante, diz-me que não estou sozinha, é o deserto quarando o pano para o deleite comigo, quem eu amo... A saudade faz doer, como se fosse um rever de um tempo que me domina, nem era eu tão menina, era rosa desabrochando nas manhãs que descortinam... Quisera memórias me ditassem os anos ou as folhas das páginas do que fui um dia, se foram de sonhos ou de desenganos a justificar as minhas nostalgias... Andei perdida e hoje me encontro pelos remos da poesia, a bússola me foi o balanço de jeito simples como o coração dizia, que os sinais na travessia outrora determinantes, são de relevos frisantes, que eu mesma deixei um dia...

Então que me valham...

Que me valham todos os perfumes a não saber o nome da rosa, todas elas em suas cores diferentes chegando airosas... Que me valham todas as estrelas, pois que são formosas, de perto ou distante, miúdas ou graúdas, todas elas deslumbrantes, grandiosas... Que me valham todas as asas, nas alturas ou rasteiras, como as nunca vistas antes, como as ditas costumeiras... Que me valham todos os plantios, os que alimentam e os indigestos, as ervas que a mim acalmam e as daninhas quando peco... Que me valham todo o universo da realidade criada e da medalha os reversos, quando deles eu me inspiro na soltura dos meus versos. Que me valham todas as coisas, por todos os sins, também pelos nãos, por opção das escolhas e as lutas por libertação...

Livinh@petitto

domingo, 6 de maio de 2012

Mãe...

A todas as mães, os meus parabéns com eterno carinho
e afago em suas almas...
Mãe,
Não me atenda correndo
quando do primeiro tombo,
me ensina a levantar sozinho
para que eu não me vença
pelos solavancos...
Também não se apiede de mim,
a me sentir um coitado,
sem forças para reagir...
Deixa que eu chore,
as lágrimas reidratam os meus sentidos
a não me tornar endurecido
inibindo as emoções...
Não me aconselhe a desistir
perante as frustrações e
jamais creia-me um perdedor,
como também não me julgues
sem nada saber das minhas limitações...
Converse mais comigo mãe,
busque saber mais do meu íntimo,
observe os meus instintos
para que eu seja grande como você,
sei que não sabes de tudo,
mas se me ouvires, eu te escuto...
Quando me veres triste, pensativo,
pergunte-me, mas sem insistência
se eu quero conversar,
e te faças pronta para me ouvir,
logo que encorajado eu me sentir...
Não diga que não tem tempo para mim,
há coisas que podem esperar
e coisa eu não sou mãe,
terei urgência de lhe falar...
Fique atenta aos meus sinais
por instantes, triste e sozinho
meu coração a sentir frio
pelos beirais do caminho...

(Livinha)



domingo, 22 de abril de 2012

Alma gêmea

Alma gêmea de ventura
perdoa-me em ser tão inútil
e não poder te assistir,
queria fosse eu tua madrinha
alhures a qualquer linha
ao teu conforto me ir...

Não estarias assim sozinho
nem eu,  perdida no caminho
penúria do nosso existir...

Dessa angústia em agonia
em mesmo penar eu diria, sangro
ao afogar esse meu peito
em charcos de prantos...

Ah fosse nós, como quisera
neste instante não ser quimera
cirgirmo-nos em tanto amor,
seria luz em nova era
a aliança sem mais espera
a compressar toda essa dor...

(Livinha)
 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Silêncio, mais que mil palavras...

Penso que terei de me esconder,
mas prometo ficar com meus ouvidos atentos,
para ouvir os chamados
e jamais permitir que a minha voz
venha desordenar tímpanos inflamados...
Sim, eu preciso me esconder,
para não jogar as falas de qualquer jeito
como se fosse um desabafo
e não serem deturpadas como algo que não faço...
Eu só sinto que depois de agir assim
venha a ser mal compreendida,
ao julgo de estar ausente,
por não querer ninguém perto de mim...
Que o silêncio me valha mais que mil palavras
e que as caras compreendam que o meu amor,
não tem que estar somente nas horas sancionadas,
mas também nas horas de reprovas,
as mais necessárias...



quinta-feira, 29 de março de 2012

Porque não canso de chorar...

Choro porque sou triste
porque o intenso não domino
quando o tempo é só um momento...
Porque a vida é uma linha fina
cortada pelo vento,
a inibir o abano das asas,
esmorecida e sem sustento...
Choro porque tudo se acaba, a alegria
é grande, o instante é pequeno,
e o teatro abaixa o pano...
Os regatos são lamentos
frios desvios, enregelados pelo tempo
e eu choro porque não aguento...
Choro porque sou irrequieta,
pois que a vida escravisa
e não permite a festa,
impondo freio a carruagem
quando não quero esperar...

Então eu choro,
porque não canso de chorar...

Li@petitto

sexta-feira, 23 de março de 2012

Encontros

Sorrisos largos, um canto
a outro dos rostos,
um salto para o abraço gostoso,
pendurada num pescoço...
Olhos minados da alegria,
fala presa na garganta,
a expressão da atitude que
se agita feito criança...
Noite alta em céu risonho
a lua dançando tonta
realizando o sonho,
como aljôfar profuso pronto
em fervura de sais
e a natureza comunga
nas relações que circundam,
os encantos madrigais...
Vozes em coro canto,
sussurros materializando,
as solturas dos ais
e as maitacas traduzem
gritando em bando, alhures
quero mais, quero mais...

Livinha

domingo, 18 de março de 2012

Espelhos da'lma...

Oh alma, como queria ver
o teu rosto,
o que não conheço, o original,
o que no espelho eu vejo,
é o meu e não o teu, o temporal...
O que sei é dos teus feitos,
os defeitos e virtudes,
mas da tua cara nua,
desconheço e me desculpe...
És eterna viajante, a antiga secular
penso até semblante rude,
nas trocentas ida e voltas
para lá e para cá...
Tua moda é a genética sem poder
de dialética para saber explicar,
porque sois desmemorada,
das tuas páginas viradas,
que já não sabes contar...
Nossas falas tem "eumismos"
dois bicudos que se bicam,
jeito engraçado da oposição,
é de mim a tua cara nessa andança
de agora e então?...
Que respostas falarão dos mistérios
que não sei nesse meu encafifar,
a te crer em transparência,
razões de causas precisas no
tempo a se depurar...
E as que hoje orbitam o espaço,
almas sem rostos, sem traços,
serão Luz a se perpetuar?...

Livinha