quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sobejos dum Passado

Sou como o vento que passa
sem rumo e sem direção
sou pregressa na fumaça
refúgio da inspiração
caminheira parte a parte
o que de mim ninguém sabe,
nas ocultas da razão...
Das vezes de mim escondida
dos trovões sou a faísca,
a queimar na escuridão...
quem sabe, o sobejo dum passado
do chicote malfadado, brado
da escravidão...
Ouço vozes, um certo engenho
sensações horas que tenho,
do que tentam me dizer,
nos pés, o trepidar do caminho
e o que penso já não sei,
me faz doer...
Cantam aves, asas em fogo,
a disfarçar tanta dor,
o que nas noites retumbantes
no breu lhes vejo a cor...
E se lhes tento alcançar,
o vento por fim me embaça,
levanta poeira senzala, foi
pra longe o dissabor...
Teimam, os chicotes pertinentes,
na vampira sordidez, o desamor,
como a realçar chagas recentes,
num velho tronco de horror...

Livinha


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um tal Cupido...

O amor chega bonito,
com feitiços faz encantos,
braços se abrem sorrindo
luzindo o primeiro encontro...
Olhar garrido e matreiro,
envolto de magnetismo
que almas afins dão em sismos
e os picos se põe acesos...
Amor esse equilibrista, faz de vidas
seus artistas a valsar em picadeiros
e por tal, embevecido, pois culpado
é um tal cupido, menino hábil ligeiro,
a mirar flechas em tiros nos
corações faz certeiro...
Nos repentes da paixão o amor
sôfrego faz doer, anseio a pulsar
no peito de alvoroçado querer...
Quão astuto e audacioso,
suas presas a envolver
lançando assim seus mistérios
fazendo corpos gemer...


Eu não creio haver no mundo
corações partidos ao meio
por ser o amor tão fecundo
de metades faz o inteiro...



Livinha



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Coração de Poeta...

Dizer que um coração desconexo
é vazio, inusitado?
Como, se nunca está desligado,
pois que poetas tristonhos,
retiram do seus recônditos os
versos mais encantados...
Por vezes estão felizes, mas
lhes faltam a inspiração,
talvez estejam as raízes, embebidas
de paixão a se tornar mais difícil
descrever a alegria, quando a alma
extasia num templo em construção...
Das horas em devaneios,
mergulham no próprio seio, voam
alto em resplendor, se banham
de estrelas guias, passeiam por
entre os dias, vestidos de furtacor,
viajando pelos sonhos, navegando
com o amor...


Livinha