sexta-feira, 27 de maio de 2011

Crescente mulher pequena...

A menina espevitada, brinca livre,
leve e solta, no jardim todo encantado
de fantasias afoitas...
Nas meias os carrapichos entre risos
a correr, ouvindo das rosas os cochichos,
anseios de bem querer...
Olhos vivos curiosa, espreita o que
vai além, a saber da lua nova o mesmo
amor que ela tem....
Serelepe aos céus encena, sob outonos
primaveras, crescente mulher pequena,
brilha a flor que em si revela...
Enquanto rede balança, a um novo sol
faz entrega, não míngua, deita e descansa,
jungi a noite ao sonho dela...



Livinha

domingo, 22 de maio de 2011

Devaneio...

Acordada no silêncio costumeiro de sua rebeldia, preparou o seu café e diferentemente do habitual, sentou-se na soleira da porta que dá para o quintal, como se ali uma pedra estivesse, a inércia a sustentá-la... O que talvez fosse o tal lugar distante, onde costuma ir em suas viagens imaginárias... A princípio, o que se poderia pensar ser apenas um banho de sol, recepcionando a matutina, a menina entregue às horas dos porquês, o que ninguém entende e ela da razão se ausenta, seguindo embora... Talvez no jeito próprio de calar a boca dos olhos curiosos, no direito que tem de se fazer compreender, se colocando despersa...
As roupas, penduradas no varal, perderam a cor, secas das horas passadas e por ela, esquecidas... como a sombra, a lhe encobrir arrefecida, envolta pelas nuances, no consumismo do tempo, ela distraída...
Por vezes em alternância, levanta e rabisca algumas letras no caderno postado sobre a mesa e no semblante as surpresas, traduzidas em seus trejeitos faciais, ora um sorriso faceiro entre um instante sério, ora lágrimas doridas, as ditas crises existenciais, a lhes invadir o pensar...
E o que será das tantas momices?... Nem o silêncio lhes adivinham, a assistir seus inúmeros retornos às escritas, das voltas e meias dadas incontáveis, virando páginas de forma aflita por inspirações que os versos não ditam, deixando outros para trás, inacabáveis e sem saída, os que não se sabem quando haverão de serem concluídos...
E ela retorna, pelo mesmo caminho, saindo dos sonhos... atenta aos passarinhos, como a esperá-los num fim de tarde, sonorizando com eles o canto, como se fossem os únicos a acalentar seus melindres... E enquanto lhes ouvem, retoma o caderno, redigindo novos versos, o que se enleva em seus desejos sacrossantos...
Depois, ela se volta em atenção à noite, se recosta no peitoril da janela a observar as estrelas que a despertam, a lhes apontar a lua como a querer dizer que do seu sonhar, nunca desiste e que por mais longo que lhe pareça o tempo, haverá de se dar em eclipse ao passo que na espera, se exibe em sua forma exuberante, feliz e iluminada...
Por fim, com um sorriso de esperança, a menina balbucia a única palavra do dia, quando nada havia pronunciado antes, prostrada que estava embargada no silêncio...
- Esperar... - Fecha a janela e se deita, entregue para um novo dia...


Livinha



terça-feira, 17 de maio de 2011

Vínculos astrais...

Eu tenho um coração de LEÃO, porque
sou rainha em minha selva racional...
Um corpo de SAGITÁRIO, quando parte
de mim, é humana e a outra é animal...
Também como VIRGEM na criança,
a inocência de origem natural...
Mas o que faz a diferença, é que sou
de ESCORPIÃO, razão de mim a natureza,
movida por sensação...
 Dou-me a entrega nos instantes imaginários
e me reservo, aquecida por um dentro de
AQUÁRIO, a umedecer os meus versos...


Livinha


sábado, 14 de maio de 2011

Performance...

Elas não se aguentam na espera, me
adivinham no anseio de voar sem
que eu possa rabiscar as linhas, palavras
minhas e se adiantam no céu a expressar...
E voam como andorinhas, como a saber
onde, em que destino re[pousar]...
Me compreendem a inspiração, conhecem
os meus dons, brisa a me acariciar,
como um encontro com natureza, quão folha
de esperança, perpetuar...
As outonais que se levantam e aos ventos
lançam suas pautas, ombreando as do horizonte...
Exibem-se em "V" de vida, num desejo
subscrito de performance...



Livinha



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ter-te e não Ter-te...

Eu posso te ver o rosto, ouvir
as tuas falas e abraçar a mim mesma,
como a me dar em você o abraço
por não poder te tocar...

Eu posso espalmar minhas mãos
nas tuas, entre telas mágicas
mas não posso te sentir a pele,
e no teu cheiro me embriagar...

Eu posso ver o teu olhar,
a cruzar nos meus os desejos,
mas não posso saciar a louca sede
dos teus beijos...

Eu posso te insinuar loucuras,
quando estou a te namorar,
mas não posso satisfazer os anseios,
existe a distância a nos separar...

Por vezes a noitinha, fecho os olhos
e me dou em você a estremecer,
mas depois que abro eu choro,
na minha cama não está você...

Ter-te é reinventar contigo sonhos,
fazer as vezes de nossas almas
enquanto corpos sozinhos reagem
e tentam manter a calma...

Ter-te, é trazer você comigo,
como contigo, eu me deixar
depois, despertar e dar em conta
que não saí do mesmo lugar...

Ter-te é deixar o corpo em casa
e dele sair para te namorar...
Não Ter-te é manter os dois aqui,
presos, n'outras coisas a se pensar...

A felicidade está na minha certeza
de que tudo o que eu disse,
são apenas meras tolices,
pois de alguma maneira, EU em VOCÊ
já não somos mais metades
e sim, partes inteiras....


Livinha


sábado, 7 de maio de 2011

Mãe é o que fica para se recordar...



Minha mãezinha querida,
recordando a criança que fui...
falas tuas que não compreendia,
hoje despontam como flashs de luz...

Você me fornecia as letrinhas,
e me ensinava a juntá-las
tecendo palavras em linhas,
mostrando-me como bordá-las...

Lembro, suas mãos me conduzindo,
assegurando-me os primeiros passos
descalça, pezinhos no chão tinindo,
a vencer meus obstáculos...

Recordo-me agora as plantinhas
em tuas pronúncias de carinhos,
posso ver o quanto as afagava
segredando os teus versinhos...

Vejo-te a encher as mãos de terra,
a vazar entre os vãos dos dedos,
sementinhas que ia regando aos dias,
despontando-se em arvoredos...

Mãezinha como te sinto saudades
das noites em oração,
inspirando-me bens em verdades
espalmando minhas, tuas mãos...

Sim, fui feliz tendo você ao meu lado
e nem tenho o porquê reclamar,
há crianças sem lares, sem tetos,
sem uma mãe para recordar...

Hoje, não me aguento de tristeza
nesta angústia que me invade,
perdoa mãe, eu assim tão carente
é o coração que esperneia de saudade...

Vivo como você, a ventura de ser mãe
mesmo distante, sei do amor que tens
rogo que a desdita cedo, não me apanhe
e como tu um dia, seja eu avó também...

Obrigada minha mãe, por teu desvelo,
prole tua quão difíceis e teimosos,
e tu sempre a rogar por nós, em teus apelos
entre Ave Maria's e Padre Nossos...






Meus queridos amigos,
Sabemos que um dia todos fomos concebidos
pela luz da vida a nos agraciar a redentora
existência em divinal de amor...
Somos especiais, porque tivemos um seio
a repousar nossas cabeças sem importar
a origem...
Tivemos mãe, essência em flor, se por muito
ou pouco tempo, no jeito que foi, fomos felizes...
Hoje, perto ou distante, ela nos sente a nos aquecer
com o seu calor...
Agradeçamos...
Mães, vidas que não se acabam, porque vivas
permanecem em nossos corações....


(Livinha)




quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tempo...

Os ponteiros ficam rodando e rondando
sem se dar ao descanso e ainda que seja
em sua postura de perneta, dá-se em avanço...
E repete, repete voltas inteiras, mas não se
desalinha, como o planeta...
Até que vem o homem e tenta agilizar seus
passos, o que não se atrapalham, seguem a lida,
até a próxima revirada...
Enquanto fico a andar de um, para o outro lado,
trocando letras e no chão a formar buracos...
Das vezes, pensamentos se perdem trôpegos,
por não saber me entender com os instantes...
O devoluto, que não acho...


Livinha


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Contracenando com Elas...

Elas costumam dizer que me amam...
Esse é o nosso ponto em comum:
Eu também me amo...
Entre horas ariscas, debatemos
nossos pontos de vistas e elas gritam:
Não somos iguais a você!
O que tenho que ser concordante no repente:
De fato, somos diferentes...
Depois, chegam após os instantes de ouriços,
dóceis e fagueiras, de mansuetude suspeitas...
Não vivemos sem você mãezinha querida...
E me posto em concordata mais uma vez,
pois elas sempre tem razão:
É fato, vocês não vivem sem mim... Não
estou morta, estou viva!

E acabo por me colocar às suas disposições,
o que me intriga...
Por que será que elas nunca se dão por
vencidas?
Ouço então a resposta advinda do silêncio,
pronta e reconhecida...

"O hoje delas é o teu ontem, teimoso e arredio...
Na verdade, és o que a moçada dita:
A antiga, ultrapassada por elas tão joviais, com
suas mentes em pose"...
E como trazê-las do meu ontem, para o meu hoje?
"Elas virão"...

O que fica, é a certeza que ao tempo, outras
cabeças serão, quando despontarem no futuro,
na mesma roda viva, por herança de então...


Livinha