sexta-feira, 29 de abril de 2011

Desafios...

Tenho ideias, tenho versos, tenho tiras,
palavras soltas, pensamentos, mas... não sei,
barreiras que eu mesma crio, neutralizam-me
perante os anseios e o momento oscila...
Não sei o que escrever, hoje eu não sei...
O pensamento queima, a fumaça nebula
o tempo fecha e troveja, me agita...
Há um frio estranho que chega, denúncia
d'um estado febril, querendo abalar
o ânimo... Por que?
Desafios... sempre a me por à prova,
cutucões do medo, ventarolas que me
sopram os pavios a querer me ver chorar...
Não. Não posso me entregar. O céu por mais
longínquo que me pareça, haverei de nele tocar,
ainda que seja em escada de letrinhas...
Se não tenho asas, outras me levarão, basta
acreditar... Eu vou chegar lá....
Essas letras cá escritas, não se intimidam,
são apenas fantasminhas sem noção ao que
se mostra, as que encontrei caídas
ao chão, diferentes daquelas costumeiras
que pego no ar, que me chegam nas horas
que mais preciso, me cuidam a não quedar...
Isto é somente um instante, sei que é a emoção
que me enibi o pensar... Estou frágil...

Livinha

domingo, 24 de abril de 2011

Da libertação...

Eu queria ter o poder de tirar as dores de quem sofre, mas quem sou eu? Que fosse pelo menos para transferi-las para mim, só pra não ver quem eu gosto chorar tanto. O que seria até prepotência minha achar que posso... Na verdade, eu não ligo quando sofro, me entrego a rebeldia e bato o pé como uma criança mimada, sem dar à vida o gosto, de me ver sofrida e acabrunhada... Eu busco fazer tudo diferente, passo o apagador na lousa onde repousava escritas do passado e esqueço, fingindo que aquele quadro não mais existe, quando pra mim representa o que não aceito. Sei que dentro disto está o meu orgulho, encapuçado de medo e revolta, atentado para reações, tudo porque embora eu muito pense, evito o mais que pensar nas questões sem soluções... Então disfarço, o que na verdade não é possível esquecer... Saio, vestida de representação, uma roupa de palhaço, ousando alegria, no jeito imperfeito talvez, de achar que tenho razão. É a forma que encontro de arrebentar as correntes que me prendem, alçando voo para minha libertação. O que até posso crer, que seja essa a minha eterna páscoa, achocolatada de desejos, em busca de estrelas no caminho, para revivê-las mais na frente, o que chamam de emoção... O que se não for, que mais importa, se das vezes, no teatro da vida, obrigo-me a vestir a camisa da profissão, a que me oportuniza a cada instante, a levantar arquiteturas de ilusões... Então, que seja eu uma mera construtora e que ainda possa me dar ao desfrute de viver momentos bons.
Eu sou alma que de nada sei, embora muito já vivida, em tudo acredita, porque me sinto criança ainda na minha inocência, quando tenho o sol como o meu rei, a luz a me banhar nas águas cristalinas, a tirar de mim o sal, as crostas findas que ao tempo, seguem lavando e purificando o que de mim, muito deveras tem por serem reparadas, para que eu me dê ao alcance da pureza, essa tão desejada e glorificada para um dia... Por isto acredito e me posto agradecida ao Pai maior e as suas leis... Tenho passagens acumuladas voltas e idas e ao tempo, haverei de ir embora com outras voltas mais, quantas forem precisas...

Livinha


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Assim ela nascia...



Poeta... Era esse o seu nome,
um solitário, a viver em campanário,
onde alguém sequer sabia quem era
aquele homem...

Comungava com o silêncio, sua voz,
não se ouvia e nas mãos, trazia um lenço
lágrimas dos olhos que lhe escorriam...

Na areia fria, repousava seus rabiscos,
cuja caneta era um mesmo cipó,
e com a noite adormecia, ofertando
ao dia, a leitura para o sol...

Ao tempo, fora acordado nos braços
da inspiração...
Olhos de sim marejaram, ecoando
no espaço, uma nova canção...
o amor se instalando a explodir
no peito, o coração...

Numa noite de lua cheia, o poeta apaixonado
fez amor com a intuição...
aos encantos  "Luzia", quão santa Virgem
Maria, nas estrelas da amplidão...

E despertou feliz na alvorada, ouvindo
o canto da passarada, a vida em resplendor
Era o Sol que se rompia, quando por fim,
Poesia nascia, fruto do seu amor...

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A Nova Era prometida...
Deixemo-nos acontecer pelo Espírito
do amor, a própria vida...
Harmonizemo-nos a exemplo do mês de
Abril, descerrando quão flor em formosura,
na marcha outonal a seguir, reciclando
as desventuras, caminhando para o novo porvir...


Ressurreição do Cristo, é renovação, um bota
fora nas amarguras, é crer no perdão, como Judas
em sua sepultura a receber absorvição....
Abramos nossos corações, livremo-nos de nossas
contradições, atentos as mudanças de então...


Amemos uns aos outros, pois que somos irmãos,
a saudar a existência em toda a sua plenitude
em contemplação...



Livinha


domingo, 17 de abril de 2011

Ferramentas...

Caminhada dura que me desafia,
a julgar-me desprevenida...
Na mala de minha viagem, levo tudo o que
puder, sou serventia da lida...
Não me venço ao cansaço, um serrote indo
e vindo nas derivas do destino, o que não
desisto e ao impecilho laço, corto e separo
se for preciso...
Vezes outras, miro o necessário, prego surgido
do nada, uma martelada ponto e basta...
Alicate... se não endireito, dou umas cortadas,
quando já a me sentir estorvada...
E seguindo vou, entre apertadas de chaves,
fendas des[parafusadas]
Com chave de boca, um veda rosca nas
vistorias e faço a tira teima, de preamar,
a vazante leiga...
São as minhas ferramentas quando inevitáveis
e se a parte elétrica dá em alta, enrolo-me
de isolante, o que me acalma...
O que importa, é não me deixar sob efeito de
tensão, pra não me deixar morrer em fios
de altercação...



Livinha


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sinais de angústia...

Sem perceber me vi dentro, no oco do silêncio
sem encontrar as palavras,
mas a sensação de barulho, alí estava,
um eco surdo, trepidando a escuridão, num
vazio das falas...
Eu até pude sentir o frio da expressão
desagasalhada, contrariada por um ar rarefeito
sem circulação, a entupir as saídas, sem entradas...
 Sinais de angústia, como a querer implodir os
tímpanos com chicoteios de amarguras...
Busquei janelas, fresta de luz, algo por segurar,
mas nada... Não havia onde tocar...
Somente a leve impressão de um choro mudo,
num espaço qualquer daquele escuro,
que não pude alcançar...
Como pude sentir conflitos borbulhantes, feridas
sussurrantes que n'algum tempo se perderam,
mas nada pude fazer, apenas orar...
Sim, eu pude sentir e ao tempo, venho pedindo
que me oferte um dia, a oportunidade
de poder cuidar...


Livinha


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Por que dizer que é loucura...

Dou-me por entrega aos encantos
e por que dizer que é loucura?
Que digam, eu não ligo... Eu não me culpo!
É amor, o que não tem cura...

Onde a culpa caberia,
se o pensamento é desmedido,
a fonte febril dos instintos, ao passo
do lívre arbítrio...

Assim me entrego...
Sou arraia ao sorriso dum menino,
silhueta valsante de sonhos,
impetuosa...
a menina borboleta a romper-se
do casulo,
a estrela namorada, em noites
silenciosa...

Se o mistério é loucura, sou o fruto
da paixão,
um corpo nú sem censura, anímica
em explosão,
Sou vida em paralelas, insana na
perfeição...


Livinha

sábado, 2 de abril de 2011

Ventos uivando...

Há quem viva do aparente,
porque não ousa por em duvida, aquilo
em que se acredita...
Há quem não se entrega ao sonhar, porque
teme a ideia do pensar e não se imagina...
É mais fácil se embalar no simples, a ter que
abrir o pacote do composto e se atrever a leitura...
Há quem opta por viver na inconsciência,
o que não se pertuba, a disfarçar o que se sente...
Então deixa que durma a consciência, se de nada saber,
nada sofrer, a acorda as amarguras...
Há quem cria suas miragens, jurando ver o horizonte
cortinado, em que se vislumbra,
o que não ver além, perdido na própria penumbra,
espelho do seu aquém...
Há quem dê por preferência o voo abrupto, feito
torvelinho, buscando atalhos, obliquos, sem dar
os encantos da estrada reta,
aos olhos que choram, de limpidez apreciativa
ao que se aproxima...
E se prostra recolhido, sem um sorriso,
sem dar conta dos desnudes de si mesmo,
achando-se perdido...
Ventos uivando, correndo a solta na negritude
a viverem escondidos...

Livinha