terça-feira, 29 de março de 2011

Teacalma, teacalma, teacalma

O vento sacode as palhas do coqueiro chicoteiam, arremetendo-me longe...

Onde posto-me a rezar, sobre um ramo de sapé a me sangrar os joelhos... O que me obriga a ouvir repetidas vezes as mesmas notas, teacalma, teacalma, teacalma...

A impulsividade faz a teima, faz careta e chora, um dia atrás do outro, a chegar a aurora cobrando mudanças...

Relutante fico, a pedir que ela vá embora, ansiando pela noite e que não me seja passageira...

Madrugada que ninguém me escuta... Estou madura! Fruta caída ao chão, aberta, a expulsar o sulco da sofreguidão...

Meus gritos, entrego aos passarinhos, que logo se levantam, escutam-me e cantam, alguma canção... E retorna a matutina, a olhar-me como mulher, esquecida de que sou menina, a ditar-me a espera, como quem ordena a não perder a minha fé... Depois me vira as costas com cara de zanga, fecha o tempo e ao vento, um olhar de comando lança...

- Chocalha palmeiras e a ela acalma, acalma, acalma....





Livinha

sábado, 26 de março de 2011

Somente hoje....


Se tenho muito a escrever, que importa?
Hoje, somente hoje, nada quero contar...
Lá fora, o céu esconde as estrelas, talvez por
quere-las reservar e então, também me dou a
reservas, como elas, me calar...
Não, não há nada a falar de mim, nem canção, nem violão,
quero mesmo é ficar a toa, assim de boa deixando
quieto o meu coração...
Hoje, quero jogar pro alto as letrinhas, sem formas,
sem palavrinhas ao léu, em pedaços brancos de papel,
como nuvens, esparramadas no céu...
Hoje aqui, no sigilo da escuta, sem riscos, prismando
de jeito, longiqua, como a poeira esvaecida...
Hoje, me parece que tudo está diferente, e como poeta,
faço a rima, para não ser confundida de repente...
Também não quero estar com o meu pensar,
por ser ele em demasia questionável a por em prova
o que de mim, se mostra inabalável...
Me deixarei no relento, na soltura da noite,
entregue ao silêncio...
Hoje, sinto-me desfolhando, como outono, renovando...
Mas se amanhã por ventura, em pingos acordar,
não pensem terem sido meus olhos a marejar,
mas os ornatos de orvalho que de sonhos,
me banharam...


Livinha


terça-feira, 22 de março de 2011

Me venças!


Ah querença, tens sedução no olhar,
então... Me venças!
sopros de mim que por vezes tentas,
entrego e deixo-me ir...
Sou escrava de tua regência, te serei
obediência da sede que cabe em ti...
Olhos inspiram ensejos, água na boca
lampejos, é calor que sobe o peito,
instintos a me conduzir...
Teus versos me levam a deleite, reflexos
me quedam efeitos, já não posso segurar...
Me toma... sou tua proa, alma de ti velejar,
meu universo é garoa, infunde desejos
de amar....


Lívinha


sexta-feira, 18 de março de 2011

No branco da espera...


Horas que nada dizem, encoberta por um
tempo vestido de cinza, cores extintas...
Fantasmas sombreados, disfarçados,
vestidos de branco, como a
impedir escaladas de muros construídos à frente,
com acabamento em arames pontiagudos,
eletrizantes, para que não se tente ao menos,
ver o horizonte...
E a revogante se debate em martírio naquele
recinto frio, o calvário que se lhes faz crer
um presídio...
Enquanto idéias e aspirações, se postam
mergulhadas em copos de absintos, aguardando
às goladas, nos momentos inebriados da
esperança...
E a noite... o branco se esconde no breu da solitária,
sob um céu enganoso cor de rosa, a cobrir
estrelas, no obscurecido da memória...



Livinha


domingo, 13 de março de 2011

Março, 14 - Dia da poesia...


Na morada da poesia...

Menina doce poesia,
mostra pra mim teu lugar
as vezes balouças na rede,
vezes outras, nas ondas do mar...

Se no breu tu és estrelas,
ao dia um sol a queimar,
grãos de contas na areia,
pedra fria a gelar...

Vezes asas passarinho
vezes ninho se deitar
passos na estrada, caminho,
noturna a suspirar...

Quão tempo vezes sem nome
vives longe, ausente, sem lar,
raios de luz, vagalumes,
um cisco perdido no ar...

Te vejo em flor, primaveras,
invernosa a conservar
outonal folha amarela
verão nova a sombrear...

Nos versos tens a morada,
nas pupilas os teus risos,
sois ilha, terra encantada,
entre lágrimas, paraíso...

Menina tu'asa é poesia
esvoaçante na imensidão
és nascente dia-a-dia
és vida em tua expressão...


Lívinha


quarta-feira, 9 de março de 2011

Um céu....


Um céu nunca a mostrar o azul...
Bocejante... a exibir um crepúsculo,
no anseio da noite para se deitar...
Talvez uma Lua que no constante sonha
com o dia seguinte, a ensejar um Sol
e se dar em eclípse...


Livinha


domingo, 6 de março de 2011

Um tempo de carnaval...


E como todos os anos, trocam-se
os devaneios nas noites de carnavais...
Nem os Pierrôs já não choram mais,
como as columbinas ao abandono dos ais,
restando apenas os gabarolas
fazendo a alegria...
O que fica, são as quartas em cinzas,
um suor ressecado no asfalto, nostalgias...
E depois... somente o eco da balbúdia
brincando por mais alguns dias, nas falas
que silenciam...
E ela volta vestida na fantasia real sem
a saudade do samba, também morto no final...
E agora... momentos saltaram fora, é a ressaca
que chora na promessa do dia seguinte...
Ano que vem, deixo o frevo no quintal...


Livinha


quinta-feira, 3 de março de 2011

Um Cravo e uma Rosa...


Do seu terno já despido, seguia o cravo
distante, no caminho pensativo...
Na face um sorriso escondido, um peito
frágil, dorido, buscando de alguém
um sussurro...
E a rosa entre suspiros, debruçada
no cercado, de olhar perdido, além...
inspirada de versos e prosas, invejando
as gaivotas, alhures do seu aquém...
E nas noites amordaçadas, as estrelas enfim
ribaltas, fez-se ouvir em serenata...
Mas o tempo assim astuto, no seu jeito absoluto
as cenas observava, lustrando quão folha rara,
a um cravo e uma rosa, ele então abençoara...
E unindo deles as pontas, papel então se dobrara
e fez um coração dorido se embevecer dum suspiro,
que ao amor se entregaram...


Livinha