sábado, 26 de fevereiro de 2011

Lazer entre irmãos...


Elas não percebem que no constante
vivem horas de lazer...
Brincam de Pique-Esconde feito crianças e na
mansitude, nem se veem...
N'algum instante, trocam de brinquedo, apelam
para o Pique-Pega e se pegam a se doer
e como num passe de mágica, adentram
um jogo de queimadas, nas palavras reboladas
e se queimam sem saber...
No repente, tentam entre elas não chamar atenção,
mas lá estão, no Pique-Bandeira, dando
bandeira, mesmo sem querer...
Outras vezes, tentam o teatro, narram seus scripts,
fazem o ensaio e nem se dão conta que fazem
a troca de suas cenas, em reprises... Mas elas falam...
Até surgir a ideia da Amarelinha, um lado
que acredita, saci pererê, saltitantes num pé só,
na assertiva de alcançar os céus nem que
seja, em avião de papel...
Eis que na chegada da noite, estão cansadas,
se deitam de caras viradas, uma e outra, mas não
se entregam e buscam seus puzzles
já passados e sem calmaria, se desesperam...
Por fim a sentinela baixa a guarda, dá o tranco,
o que elas correspondem...
E voltam a brincar por uns dias, outra vez de
pique-esconde e até quando, não sei...
Mas ainda que das vezes, as relações
se deem a balançar, haverá sempre um doce
entre elas por festejar...

Livinha



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Buscando-me...


Hoje acordei no vazio... e como nada levantei. Em completa turbulência, atarantada e perdida, sem noção por onde andei.
Foi a dna Inconstância, logo cedo me abordando, de tal forma violenta, da cama me arrebatando. Pareceu-me a tia Nastácia afobada e atirada, me roubando um sono bom... De cara esqueci de tudo, sequer sei a onde estava, sei apenas que essa alma, foi de mim arrebatada e n'algum lugar a deixei...
E me vi desanimada, fora do ar, automática... Pensamentos desligados, confusa e sem direção. A mente desordenada, sem palavras, sem questão...
Onde é que tu estais, orvelhinha desgarrada me deixando aqui sem rumo? Volta já pra este corpo, sem você é moribundo... Mas não me deixe sem porto, sozinha fora do mundo...
E uma tela assim nostálgica, sem razão e nem porque, me leva a te ver menina numa sala a escrever... Num mata-borrão rabiscas uma casa e um violão, com raiva o papel destacas e o atiras p'ro chão... Mas logo abres sorriso, nova ideia que se pinta, riscando na página seguinte, uma bola bem bonita... e levantas ligeirinha, e se põe em rodopios, fazendo voar a sainha, balançando os teus cachinhos...
Agora a vejo chorando, sentidos de sua emoção, quem sabe se levantando, nos braços da compreensão...
A minha tela se fecha, e a tarde volto a dormir. Voltarei a estar com ela, pois que essa, foi mais uma das janelas, que eu teria que abrir...



Livinha



domingo, 20 de fevereiro de 2011

No lirismo dos meus versos...


Eu apaguei todas as luzes, atraindo
os olhos para o meu pensar...
E desliguei todos os sons, para não ferir
os meus ouvidos e o silêncio apenas escutar...
Eu tranquei as minhas falas para aprender
a ouvir e não se fazerem necessárias...

E resolvi mudar...
Em minha casa, havia tristeza e solidão,
sentidos sem direção, sem canção
para cantar...

E dei sinal ao meu olhar,
que buscasse ver um viajante,
conselheiro amigo, tocador amante,
que tivesse muita história pra contar...

Que levasse junto os meus sentidos,
nos acordes benditos, notas a tocar...
Enquanto as falas, se fariam cancioneiras
no lirismo dos meus versos a serenar...

E foi assim que a tristeza foi se embora
espantando a solidão, ao perceber
que os sentidos, a seu tempo,
ressoavam novamente o amor,
no pulsar do coração...


Livinha



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Contrariando...


Eu tento me entregar ao sono p'ra não
sofrer a tua falta,
mas ao mesmo tempo, me mantenho acordada
p'ra não me ver sonhando...
Eu sei que você existe, mas tento fingir que és
miragem, para que eu não fique me enganando...
Eu trago você junto a mim, nessa ânsia imaginária
e me faço alegria, embriagada, para não ficar
chorando...
Por vezes, saio pra's ruas pra fugir do teu pensar,
e sequer me dou conta, que te levo comigo,
ouvindo sussurros, me dizendo que virás...
E te invento em minhas fantasias, nesse corpo
que arrepia e a você me entregando...
e desperto delirando...
Por fim, contrario a tudo, te sentindo... num feito
matreiro, amando... esse coração que vibra por
você o tempo inteiro...


Livinha


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Liames...


Liames... Seriam de todo feito
sentimentos casuais?
Dos encontros sem procuras das
leis espirituais...
Sementes germinadas no peito,
a seu tempo nascituras
nas razões de causas e efeitos,
regidas nas partituras...
São encantos da ribalta, cifras dos olhos
que saltam, de amor a desdobrar...
Almas essas assim jungidas, nas pautas,
notas de vidas, do reconhecer inspirado,
por afetos desejosos como eternos
namorados...
E se dão em conivências, sábias douras
conciências, de luzir as diferenças...
Contracenam seus defeitos, aprimorando
respeito para o perfeito se dar...
Por fim, jamais dadas por vencidas, amor
nunca acabar, nas vicissitudes da lida,
razões por eternizar...


Livinha


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Meus pensamentos...


Meus pensamentos disparam
numa viagem constante,
sempre correndo apressado
nos anseios delirantes...
Ele faz o trocadilho, no opaco vê
o brilho, silêncio a palpitar,
sente a vida no abstrato,
pega o concreto nos braços,
e se entretem no pensar...
E quando se vê atritado, não se perde,
dá-se a prova
segue atrevido ligeiro, arriscando
nova prosa...
Tenta competir com o tempo,
quer no ato ultrapassa-lo,
e por anseio de respostas, no vento
pega o embalo...
Sai buscando semelhanças, nos ornatos
do universo, atento em nova leitura,
a construir os seus versos...
E quando perde a compostura,
desengata a ligeirice, embriagado
entontece e pauseia se pondo em prece...


Livinha


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

No testemunho do mar...


Eu vi o teu rosto por todos os lugares
por onde andei, multiplicando...
E nas noites solitárias a beira mar,
vi o teu olhar no céu, em cada estrela
despontando...
Sentei na areia tantas vezes, sequiosa,
desejando-te namorar,
e me agraçava, com o teu sorriso alhures
no querer comigo estar...
Ah eu vi...
Eu vi milhões de corpos divagando,
todos parecidos com o teu
de traquejo inebriante, inspirando
dança junto ao meu...
A alegria, foi que em todos os semblantes,
eu via o teu rosto a me encantar,
e contigo na areia me envolvia, realizando
sonhos, no testemunho do mar...


Livinha


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Complexidade...


A sua natureza é complexa demais...
Ninguém a compreende nem eu,
só pode ser ironia...
O dia hoje lhe parece besta,
um algo que angustia...
Um desses dias quaisquer, que acorda
o frio ansioso de agasalho, crochetado
de veias,
colocando-se entre as voltas de seus braços,
nos anseios mudos, as deixas...
Talvez na inquietude de amar, ela se
compensa, amando a si mesma...


Livinha


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um pedido...


Fiz um barquinho de papel
e lancei ao mar em noite de sonhos...
Na proa, um soldadinho de olhar fixo
sob feitiço de rumo...
Me joguei ao dia seguinte, pensamentos
e requintes, olhar perdido
de intensa espera...
E lá vem ele... de volta, já não mais
um soldadinho feiticeiro que veleja...
Um boto, aportando-se diante dela, a sereia,
que lhe toma pelas mãos e o ama sobre areia,
a sussurrar em seu ouvido, um pedido...
-Fica comigo, que esse porto contigo,
não é mais solidão...


Livinha