sábado, 26 de março de 2011

Somente hoje....


Se tenho muito a escrever, que importa?
Hoje, somente hoje, nada quero contar...
Lá fora, o céu esconde as estrelas, talvez por
quere-las reservar e então, também me dou a
reservas, como elas, me calar...
Não, não há nada a falar de mim, nem canção, nem violão,
quero mesmo é ficar a toa, assim de boa deixando
quieto o meu coração...
Hoje, quero jogar pro alto as letrinhas, sem formas,
sem palavrinhas ao léu, em pedaços brancos de papel,
como nuvens, esparramadas no céu...
Hoje aqui, no sigilo da escuta, sem riscos, prismando
de jeito, longiqua, como a poeira esvaecida...
Hoje, me parece que tudo está diferente, e como poeta,
faço a rima, para não ser confundida de repente...
Também não quero estar com o meu pensar,
por ser ele em demasia questionável a por em prova
o que de mim, se mostra inabalável...
Me deixarei no relento, na soltura da noite,
entregue ao silêncio...
Hoje, sinto-me desfolhando, como outono, renovando...
Mas se amanhã por ventura, em pingos acordar,
não pensem terem sido meus olhos a marejar,
mas os ornatos de orvalho que de sonhos,
me banharam...


Livinha