segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Um instante OFF


Talvez um poema sem assunto, algo
instântaneo, de pronto,
um vácuo no juízo, um ponto...
Sem pergunta, sem resposta,
olhos perdidos, distantes...
Miragens, entre retas tortas, dor!
Que não se sabe onde...
Coisa com coisa, sem coisa, errante;
incertezas que vagueiam, delírios infames...
Mudanças de momentos, rimas sem remos,
barco sem roteiro, lenço sem vento,
como um OFF sem clic, um stop...
Um chamado sem presença, cinema
sem ensaio, um mudo-surdo, um paio...
Beco sem saída, ou um vão no meio do escuro?
E vem um grito no repente, um surto
que se faz voltar...
Eis a alma... Onde ela estava?



Lívi@petitto


domingo, 29 de agosto de 2010

Elas por elas...


Anjos me disseram, que eu tenho que viver.
De que jeito? De que forma?
Se frutos de minha rosa, fazem de mim,
o apetecer...
Antes tudo tão mais fácil, companheiro
do meu lado, com tanta vida por viver...
Hoje aqui sozinha, meio a esse turbilhão;
êta vida essa minha, que não sei o que fazer...
Poucos tem sido meus risos, um viver só de
conflitos e do tal do paraíso, me sobrou
o padecer?
Deixei de ser mãe, agora sou filha, talvez uma
ilha, cercada por elas...
Temem a perda de mim, assim como o pai:
Elas por elas!
Agora sou cobrada, sem poder sair sozinha...
Há um excesso de cuidado, como se eu
fosse velhinha...
É claro que me sinto querida, mas não quero
ser tolhida, sem a minha liberdade...
Ah, eu não mereço, até rezo um terço, pra não
cair em desânimo, quando preciso de ânimo.
Retiro o véu da obscuridade, saindo pela
cidade, desanuviando...
Entoando em assovio, as canções
que tocam no meu carro...
Ligada a tudo: Trânsito, transeuntes,
crianças, rumos...
Tantas coisas vejo e poemas exalo...
Volto para casa leve, tranquila, serena
e no pacote da memória, coisas novas,
cenas...
Eu as amo e, por não querer sufocá-las,
tento o desapego... Já não quero mais
sofrimento, sinto medo. Chega!
Por isso saio, pego carona com o vento,
uma palavra, sentimentos, frase que seja,
qualquer coisa do cotidiano, pra não cair
em tormentos.
Olhar os sinos que tocam lá fora,
é ausentar-me do agora, pegando carona
no tempo...
E tento no meu sorriso de mulher, ser uma
flor desabrochando, um reviver...
E como o mar, desemborco sobre elas
um bem querer...


Lívi@petitto


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Verde ou Azul?

A imagem postada é de nossa querida amiga Leah
do blog "Minhas Pinturas" (http://pinturaartesanato.blogspot.com/)
onde por lá, ao mesmo tempo, brotou minha inspiração
dada a mesma indagação, ao qual creio, muitos
já terem feito a si mesmos.
Abaixo segue o meu entendimento:

Já indaguei tantas vezes sentada
à frente do Mar:
Que cor tem as suas águas que
tanto me atrai para cá?
Seria verde ou azul, fala pra mim ser
querido...
E na magia dos sentidos, um acho que
acho, me diz aos ouvidos:
-Se pra você n'algum instante, esse mar
se te mostra cinza, são as nuvens
condensadas que no céu se pinta,
como águas destiladas no calor,
do sol extintas...
Se outras vezes a ti espelha,
a intensidade do azul, são os reflexos
do céu, no limiar de norte a sul...
Porém, quando estiveres dentro desse Mar,
de aparência assim verdinha, é a imensidão
do profundo, a esconder o oculto...
Então, mergulha teus pensamentos no que
te pareça confuso e sinta a mãe
natureza desvirginando o fecundo...


Lívi@petitto

terça-feira, 24 de agosto de 2010

E se ainda houver esperança...


O tempo já não mais como antes,
verão constante, uma hora a mais
porque se tem pressa...

Nas ruas da cidade, já não paira calma,
barulho estupram almas, tudo é festa...
Alguns sentimentos se ausentam,
a saudade está morrendo e a razão, é cega...

A vida, já não mais cor de rosa,
já não se toca viola, a cor é funesta...
O sorriso de um dia indo embora
o céu escurece, não mais se vê a aurora...

E a fantasia desmancha-se em cinzas, os dias,
são de todo quartas, fecham-se as cortinas...
E a natureza esmorece e as crianças
são mortas...

Cuidemos do futuro, se ainda houver esperança...


Lívi@petitto

domingo, 22 de agosto de 2010

Se as flores...


Se as flores não falassem, eu também
não ouviria a paixão da matutina,
no cântico da cotovia...
E se beleza não mostrasse, não veria
o Beija-flor e nem um beijo eu daria...
E se nem um sabor assim tivesse,
não compreenderia o universo
e sem mel, nada adoçaria...
Sem perfume, não exalaria sentimentos
e do amor, nada saberia...
E por fim, se não me fosse possível,
dar a elas o toque,
não haveria em mim algum sentido
sequer nenhuma sensação,
que me daria aos retoques...
E diante de toda minha fragilidade,
jamais me tornaria um ser forte...

Lívi@petitto


sábado, 21 de agosto de 2010

Utopias de Alice...


Há um céu fazendo gosto,
jamais num espaço [des]agosto,
mas num vivo céu de abriL...
Ainda que já em noite aberta,
acena a fantasia, calma e serena,
ostentando um azul de aniL...
E a maravilha se revela, dona de
um firmamento somente dela
quando a criação desponta, num prisma
que ninguém viu e no recato, dedica-se
ao silêncio do tempo seguinte...
Um saltitante, preposto setembro,
de sonho primaveriL...

Lívi@petitto


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ela de volta...


Chegou ela, gargalhante,
abundante aos quatro vento,
sorrir e chora ao mesmo tempo...
Fez-me passar a noite acordada,
flutuante, na cama agitada
sem nenhum constrangimento...
Ah minha Graça menina,
não sabes a falta que fizeste
quando largada aqui me deixaste
a procura de ti...
Falas que a vida é um parque
e não paras de sorrir...
Fizeste da ladeira da serra,
o teu escorregador, livre e solta
a degustar o sabor...
Me trouxeste um sorriso e no sal
das minhas lágrimas, um cravo brotou...
Quem mais trouxeste contigo?
Lá fora ouço uma viola, na voz de um cantor...
Não. Não é impressão. O limite dissipou,
é o sim, é o sim, que o pássaro
levou e buscou...
Agora pára de rir e fala pra mim:
O que é isto que sinto, que está vindo
de ti?
Debuto... É o amor...

Lívi@petitto

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

E se eu me perco?


O limite é um pico indefinido
na linha do horizonte...
Uma flecha enterrada no topo,
um duplo sentido,
sem ter como ir adiante...
Asa vermelha um estandarte
optativo no instante
um fi[n]co aqui mesmo,
um voo no espreito
ou volito de jeito...
Há uma dúvida, pode ser erro
pode ser acerto...
E se eu me perco?

Lívi@petitto


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Somos o que queremos ser...


Não some o que você já deu,
nem o que fez ou deixou de fazer,
mas o que você já recebeu...
Também não queira entender, apenas
aceite o outro como é, da forma
como assim, desejas ser aceito.
Podemos ser uma frente fria,
uma onda de calor, como nas mãos
uma luva e não ser o cobertor...
Podemos ser as marcas do chão
que pisamos, uma estrela, a plenitude,
como ser do outro os defeitos e
outras vezes, as virtudes...
Podemos ser vida inteira, uma nuvem
passageira e apenas um instante, como
água da ribeira ou terra árida pedante...
Quão necessários de ouvir, podemos ser
conselheiros ou da solidão, hospedeiros...
Podemos ser a cegueira ou como da luz
o clarão e ser o que se deseja...
Porque somos semelhantes em Deus...
Posso ser você e você pode ser eu,
Somos espelhos refletores,
visionários distorcidos, conjectores,
rebuscados das afinidades...
Nossa igualdade se encontra na evolução,
pois que somos eternidade...


Lívi@petitto


sábado, 14 de agosto de 2010

Vou embora...


Asas sem comando
e sem forças pra voar...
O teatro baixa o pano
sem atos por expressar,
vou embora, vou embora
não é meu esse lugar...
A aurora não se levanta
já não canta o sabiá...
Nas ruas não tem mais criança,
sorrisos sem esperança,
dois olhos, somente um olhar..
O silêncio comprimi tensores
sob a pressão do ar,
nuvens esparsas na serra
canoa encalhada no mar...
As estrelas deprimente,
não se lhes vê mais o lume,
em fino véu se esconderam,
sequer se lhes ouve os queixumes,
na boca do céu se perderam...
Vou embora, vou embora,
deixo-me entregue, ao afã,
se não tenho onde morar
deito a roupa no divã...
Entrego a nudez ao destino
sou tua nobre menino,
me leva pro lado de lá...



Lívi@petitto


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Felicidade...


Perguntei ao meu bom Deus
onde estaria escondida a felicidade.
e ele me respondeu que a procurasse
descobrir, por onde eu andasse...
Que estaria em todos os lugares ainda
que me parecesse inexistir, no aqui e alí
da jornada infinda...
Mesmo no aparente escuro... becos,
detrás dos muros... Ela se mostra bonita,
iluminada e viva, habitando dentro de mim.
E sem compreender, por assim não crer,
Deus me disse ainda, não ser ela vista,
por não ser imaginada...
E um cego que por mim passara,
se aproximou e indagou:
-Procuras a felicidade?...
-Te acalmas... Já a encontraste.
Está dentro de teu peito, pulsando
forte e ligeira, gritando por teu amor...
Ela é riqueza, é magia... Luz e fantasia
no teu sorriso em cor... Manifesta
beleza, nas flores, na Natureza,
nas asas de um beija-flor...
Feche os olhos e escuta... a serenata
mais bela que chega à tua janela
pela vóz de um cantor...
Felicidade é ousadia... É a noite é o dia...
Nas bençãos da alegria...
Portanto, solta teu canto, enxuga
teu pranto e vive a vida com louvor...


Lívi@petitto



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Confia e segue!


Se ficares parada na soleira
da porta sob embaço de lágrimas,
pensarás que chove lá fora e deixarás
de ver o sol nascer... (Engano)

Se na longa caminhada, diante dos
obstáculos imprevisíveis, resolver
sentar nos beirais da estrada,
jamais saberás a capacidade que tens
por vencer (medo)

Se ficares estagnada a espera
d'uma condução, que sabes não passar,
estarás em atraso de tempo, quando
tanto tens por fazer. (Indolência)

Se ficares na tentativa de saber,
o que outros estão de ti a pensar,
deixarás de encontrar alguém que
a frente já se encontra, te esperando
ver passar... (Insegurança)

Não se perca na nebulosidade dos instantes,
isto é ENGANO de si mesmo, diante de tuas
fragilidades.
Não TEMAS! Os fantasma que criaste, são
personagens de tua obscuridade...
Não te apegues as facilidades, LUTE!
você pode, pois que sois responsável pela
tua felicidade...
Sois aquilo que cativas e Deus te confia
a estrada reta.
CREIA! Cofia e segue...
O amanhã só alcanças se deixares o hoje
para trás...


Lívi@petitto


sábado, 7 de agosto de 2010

O inefável...


Desanuvia tempo,
esparsa-te com o vento, voa!
Engajada nesta luz que te desponta,
há um canto que ecoa...

Ósculos de luz, inefáveis sentidos
evolam, compondo encantos...
Um ar, exprimindo essências
delírios e sonhos...

Conecta-te ó rosa dos ventos!
Olhos decolam no horizonte...
Uma menina biruta que cintila
e no silêncio se anima exultante...


Lívi@petitto


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Vazio...


Dias que não mais vejo, noites
intensas e no corpo sequelas apenas
e ela, não se levanta...
Latejos que não compreendo,
olhos turvos, letras vazias sem palavras,
sem poemas.
No peito o anseio, na garganta
um nó sufocado entre punhos teso.
e no acato ao tempo, a melancolia,
uma poeta sem poesia...
Uma sede que não cessa, de um
sal que não estanca, com cheiro de
maresia e na boca morte lenta,
na embriaguez que vara o dia.
Não sei onde me perdi...
Uma sensação que me arrefece,
se estou viva ou se morri...

Lívi@petitto