sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ausência...


Duas noites tem me sido de cão.
Eu, sentinela da escuridão
Um certo vírus sacana,
me faz vuco vuco na cama,
roubando de mim o sonão
Todos dormindo, somente eu
no agito, sufocada, sem
respiração...
O corpo febril, um frio
lutando por sobreviver, entre
tosses e retosses, garganta seca,
raspando, o insuportável a doer...
Dum corpo travado, estou a mercê
dores musculares intensas, como
de pancadas a sofrer...
A noite me parece delonga,
na cabeça o latejo, uma dor insana...
Estou péssima!
Levanto várias vezes, analgésicos,
antigripais, inalação e nada.
Estou derrubada e mesmo de cama
aqui postando, porque do jeito
que estou, dela só saio de maca...
Mas gripe forte é assim mesmo,
de trato e paciência.
Portanto amigos perdoe a ausência.
Estou mais morta do que viva
e minha mente a deriva...



(Obrigado pelo seu carinho)

Lívi@petitto


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eu e Ela....


Não dá para acreditar que
ela seja eu mesma,
quando bem, é ela quem me rege
e no universo, ela é a estrela...
Engraçado, ela me diz, que lhe sou
a roupa perfeita,
mas que ela mesma, é imperfeita.
Eu a digo, que é livre e ela me desmente,
dizendo que é de mim a presa.
Como? Se dela sou o uso e embora
eu a culpe, a danada convence-me
de que lhe sou necessária...
No entanto, a invejo, por ela ser o verso
e eu, a palha...
O interessante disso tudo, é ser ela eterna,
eu passageira.
E, apesar de ser a presa, ela quem me
deixa vezes,
com o olhar fixo num ponto e passeia.
Ela tem um futuro e eu sequer a certeza,
se terei um amanhã...
O que sei, é que mesmo sendo dela as amarras,
ela se libertará;
uma porta, estreitamente aberta, encontrará.
Eu, serei apenas uma mortalha, nos instantes
do tempo lembrada...


Lívi@petitto



terça-feira, 27 de julho de 2010

Mudanças...


Sorrisos e lágrimas, amor e raiva.
Viveres a contento em descontento,
tanto quanto, no constante, ao tempo...
Um algo de coisas e entre outras mais,
os defeitos, entremeando as qualidades, o tento...
De tudo aos poucos, um pouco, aprendendo,
pois que já não somos mais como antes,
mudanças vão ocorrendo...


Lívia@petitto

domingo, 25 de julho de 2010

Disciplina...


Por que haveria de brigar com as horas,
que disciplinadas dedicam-se ao tempo?
sou eu a derradeira que se demora
alhures com meus pensamentos...

Abelhinhas irrequietas rende o tempo
sem lamentos, se adocicam em favos mel
são operárias e cumpre o fardo a contento,
mesmo estéreis, faz na jornada o seu papel

Eis que a Rainha, dominadora e astuta,
faz suas vezes na gloriosa reprodução
e com orgulho, soberana se apruma,
embevecendo de feitiços, seu Zangão...

Maitacas palradoras, no agito sem parar,
grilos na noite, os burburinhos a retorcar
vidas surgindo, acolhidas em seus ninhos,
e ostenta um canto, a magestade, o sabiá...

Belas formigas, se disciplinam enfileiradas
faz a estrada indo e vindo a trabalhar,
entre paus ocos, sobre árvore, sob terra,
são sociáveis, faz a morada, sem debandar...

E a matutina, ainda menina, se levanta
veste o biquini e se entrega para o mar,
e na vespertina, a dourar seus sonhos,
dá sim ao crepúsculo e o convida a namorar...

E a roda viva de sementeira incessante,
influi ao mundo a consciência e a razão
com disciplina, dá-se em luz na amplitude
e determina em linha reta, sua extensão...

Somos obreiros, desta terra, luz bendita
nas semelhanças, o realçar em mutação
somos a vida, da própria vida, a existência
a inteligência, o libertar-se, renovação...


Lívi@petitto

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O gosto de amar...


Gosto do tira gosto, do prato cheio,
cardápio, sabor e cheiro,
como a pimenta escondida
que me atiça o carmim...
Gosto da provadinha, bebida quentinha,
no ouvido o clarim
como gosto no paladar, o ardor,
a sensação do picante, o sim...
Gosto da maresia, da nudez sem fantasia,
o glamour de enfeitiçar,
gosto do sopro da brisa, que os pêlos eriça
a me suscitar...
Gosto do voo ao píncaro, som e gemido,
fogo e transpirar,
como gosto do fecundo, no despontar
para o mundo, o prazer de amar...



Lívi@petitto


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mãos jardineiras...


Mãos que me foram fagueiras
que me direcionaram o caminho,
mãos, abençoadas jardineiras,
que me retiraram os espinhos...

E agora por onde é que andas,
que corações estais a afagar,
cuidando d'outros que chegam,
apascentando ovelhas a chorar?

Ah... Tenho sentido tua falta,
do teu colo a me acalentar,
meu rosto, junto ao teu seio
e meus cabelos, a pentear...

Tuas mãos nas minhas mãos
a contar todos meus dedos,
do midinho ao cata piolho,
sorrindo a distrair-me dos medos...

Nas pernas, tantas chineladas
com tuas mãos, marcas deixadas
eu sei bem, que fui malcriada
fazendo por merecer as lapadas

Ah, quanta saudade eu sinto...
Lembrando do teu dedo sentencial,
impondo-me às chamativas, atenta,
me apontando o castigo referencial...

Nas suas infindáveis palavras,
eu achava que jogavas pragas,
hoje sei, eram estranhas advinhas,
que na sua vivência, apregoavas

Dizias que eu iria ter dez Lívias
para eu saber o que era uma
e eu tive 3, ao quadrado nove,
a décima sou eu, a dita cuja...

Ah mãe, eu bem que queria,
aquela tua bolinha de cristal
parecia que de tudo entendias,
diacho! Você sabia do final...

E agora me digas, o que eu faço
com minhas más traçadas linhas?
já experimentei a dita bolinha
mas elas não me retornam adivinhas...

O mundo hoje está tão diferente
antes era tudo mais poesia
hoje filhos, mesmo dependentes
teimam a vida em revelia...

Ora por mim mãe querida,
me assista, de onde estiver,
perdoe-me os erros do passado
e interceda por mim, se conta eu não der.

E agora entre lágrimas, assim eu peço:
Olhe-me daí, como a antiga criança
segura nas tuas mãos os meus pés,
me assista a travessia e devolva-me
a esperança...


Lívi@petitto


terça-feira, 20 de julho de 2010

Uma casa velha...


Ante a entrada, um jardim descuidado
uma roseira e somente uma rosa, que
se auto rega...
Do lado, um craveiro, apagado,
um ex apaixonado...
Lágrimas dela, jorram em cima dele
e ele jamais desperta.
Talvez um outro cravo desponte,
n'outro galho, deixando fluir uma pétala...

...E eu, uma casa velha de externo cuidado,
para que não seja vista em abandono...
Nas ombreiras da porta, teias de aranhas
os fios brancos, imersos nas tintas escurecidas,
a esconder os anos...
Adentrando, por favor, pise com cuidado,
há um piso rústico do passado, fazendo ruídos,
atualmente frágil...
No interior, as paredes são de vime, o ofício
necessitado de reparos...
Na essência, vestígio de umidade,
uma caixa semivogal, entonando gotas
de sensibilidade...
Nas instalações, a energia bombeada
por uma caixa de número cinquenta e dois,
em forma de coração...
Talvez um prato típico de arroz com feijão,
sem mistura, para eventual tempero...
Um dia, essa casa vai ruir, deixando liberto
o alicerce seguro que a manteve na jornada
alma em voo livre a sorrir, jamais deixando
um adeus, apenas um breve aceno, aos seus
laços cativos de eterna morada...


Lívi@petitto



sexta-feira, 16 de julho de 2010

Menina Gramática...

Aos amigos e a você que
me visita porque palavras são poemas...

Minha menina gramática,
por que tanta interjeição?
as vezes te pego dramática,
vezes outra, em reflexão...

Onde é que tu mareias
nesses fluxos e refluxos,
que entre espaços permeias,
um dito sujeito oculto?

Já não verto os predicados
embutidos em tuas reticências,
diante das vírgulas do teu passado
não te curvas às desinências...

Nas entrelinhas de tuas pautas,
observo-te induta, em tentação,
leio-te os verbos implícitos,
gritos em punho, exclamação...

Quando abstrata, papel em branco,
nauseando a fome escrita,
manchas borradas, d'um pranto,
nas deduções que a ti incita...

Pauseias entre dois pontos
como que explicações a se dar,
razão das tantas interrogações,
do que sabes e não queres aceitar.

Por que não colocas um ponto?
O que era história, agora um artigo
na tua página, encerra um capítulo,
na do outro, um substantivo...

Ah minha gramática querida,
saia desse caminho obliquo,
visualiza-te na estrada reta,
e creia mais no teu qualitativo


Lívi@petitto

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Qual é a cor dos olhos dela?

Há um selinho pra você
postado ao lado. Te oferto. Clic abaixo: http://a.imageshack.us/img411/3484/anigif4654.gif
com carinho, porque Palavras são Poemas...


Olhaste o castanho dos meus olhos, mas
não enxergaste a minha'lma...
Mergulha neles e me responda:
Qual a cor dos olhos dela?
Somente assim, verás a transparência
com que ela se revela...


Lívi@petitto

terça-feira, 13 de julho de 2010

Homens...


Homens, sois lavradores constantes,
requeridos por Deus a promover
o plantio...
Lavra tua terra com fervor, serenamente,
acaricie e deposite nela, tuas sementes
com amor...

A deusa formosa, sublime e pura,
clama pela tua conivência, para
que seja cultivada...
Derrame em seu virginal, a tua seiva,
buscando dela o profundo,
a mina úmida, da sua fertilidade...

Tens nas mãos, a santa da ternura,
para o seio fecundo, como no feito
do criador, o abrolhar deste mundo...
Plante, deixe que ela germine
e sinta em cada broto, o orvalhar da flor,
como ela se define....


Lívi@petitto


domingo, 11 de julho de 2010

No sentido da noite...


Ao fim do dia, a tarde se entrega...
Dos gravetos recolhidos, uma fogueira.
No frio da noite, realçando seus açoites,
um fogo acende, mormente fé ligeira...

A velha estrada enseja forrar o chão,
dum campinzal, trança uma esteira,
na boca um assovio, quão passarinho,
soprando uma canção, contando estrelas...

Premente n'árvore, raios da minguante,
pela saudade dum sol quente, passageiro...
Rapina asas faz abano, suave chilros,
vendo o chorinho de si sozinho, prisioneiro...

E segue a noite lúcida, na brisa fagueira
no brando silêncio, da orquestra noturna,
ao som distante, o sustenido da ribeira,
corteja a oração no ciciar da deusa muda...


Lívia@petitto


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Toque-me...


Por que palavras, se nesse meu
corpo, existem mistérios que dispensam
as minhas falas?
Deslize tuas mãos nas minhas curvas
delineadas, onde estão os pontos de
minhas sensações, os meus botões...
Eles que traduzem os meus sussurros
e mostram as letras das minhas
escrituras mais sagradas...
Toque com as pontas dos teus dedos,
na minha pele aveludada e
haverás de me deixar extasiada,
na pronta entrega dos teus desejos...
E depois, quando sentires despontar os
meus orvalhos, no aquecimento dos ímpetos
acelerados, estarei pronta para o vôo
contigo, ao paraíso dos meus anseios...


Lívi@petitto


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Divagando...


E no silêncio da noite eu perdi as minha falas
entremeio às chibatadas das palmeiras, o tom
Assemelhando-me às ondas, entre soluços e
sussurros, deitei sobre a areia branca, os meus
borbulhos...
Ei-lo que surge, no despontar da alvorada, ao véu
desfrute, acordando a menina, nebulosa...
Gaivotas pipilantes, ostentando-se sonoras,
coroando a virgem matutina que, suavemente
se levanta...
E segue-se mais um dia, intercalandos marejos,
da nova tentativa que se principia, entre
desejos...


Lívi@petitto



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sempre contigo...


Nunca te sintas por mim abandonada
posso ser o vento que passa ligeiro
um galho de árvore caído a seu lado,
ou a sensação de afago em teus cabelos

Das estrelas, posso ser a luz que brilha
e no despontar da vida, tua guia.
Borboletas revoando sobre as flores,
mãos que estendes a teus amores....

Nas diferentes fases, posso ser a Lua
no breu da metade e da outra o clarão,
como posso ser no infinito a liberdade,
o enlace dos laços em teu coração...

Entre riscos e rabiscos a velha caneta,
ou papel amassado, jogado ao chão,
posso ser o teu suor, surrando camisa,
até mesmos teus pés, calejados ao chão...

Uma folha que cai, uma gota de chuva,
na noite o silêncio rompido em canção,
posso ser a sinfonia ou até a serenata,
uma nota só tocada, do grilo um refrão

Não. jamais te sintas abandonada
em todas as caras por tudo por nada,
sou de ti todos os versos, o sempre alado,
nas letras que te subscrevo, apaixonadas...


By Inspiração