domingo, 28 de fevereiro de 2010

Instinto...


Sou apenas um ser vivo, apenas...
trago nas entranhas, derivados
instintos, proprio de minhas paixões...
Como um ser meramente animal,
eis a contradição,
também sou uma fera, racional,
oscilante na limitação...
Tenho desejos não raros,
quão todo ser carnal,
do comum em gradação,
nesse corpo irracional...


Lívi@petitto

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Solidão...

Existem olhos de esperança na janela
buscando uma forma mais bela de encontrar
um outro olhar...
como um coração que tamborila uma certa
sensação no ar...
Há uma boca ansiosa por outra, balbuciando
as frases mais loucas, no desejo de beijar...
Os sentidos se acalmam, a janela se fecha e
um corpo vai se deitar...


Lívi@petitto

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O que será?


Pode ser que tudo seja uma festa
tá faltando canção, faltando
orquestra...
Pode ser que tudo seja esperança,
tá faltando a farinha e manga...
Pode ser que tudo seja um velório,
tá faltando choro, alho e óleo...
Pode ser que tudo seja uma viagem,
tá faltando o direito, a passagem...
Pode ser que tudo seja oração,
tá faltando crença e submissão...
Pode ser que tudo seja uma alusão
tá faltando mutirão, tá faltando
a razão...
Pode ser que seja excesso de inocência,
nos contra feitos da aparência,
tá faltando entendimento, não se sabe
o sofrimento,
deixa que durma essa consciência...


Lívi@petitto

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Esperança...



Na aparente aridez da existência,
a semente do consolo brota,
no desperta do recôndito imo,
polén das rosas...

Ainda que sob pedra imensa
há um luzeiro que desponta
e no cumprir de sentença,
não há força contrária que vença,
humilde flor que aponta...

Mesmo que estrada ríspida e delonga,
fator de existência, faz-se unânime,
é de feito obliquo e percurso extenso,
mas se faz ameno, vidas longânime...

Deveras falso são os caminhos,
de perdas em grande extravio,
prendas d'ouro por ausência de suor e lida,
são falhas, sem presença da poeira,
semente e brio...


Lívi@petitto

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Bodas de Prata...


O sim, já havia sido dado, desde o momento daquele encontro marcado, mas as pratas somente seriam contadas, diante do recíproco sim, do casamento, quando as quatro operações estimadas, seriam efetuadas na construção durante o relacionamento...
Dois seres completamente distintos, mesmo, em face dos mesmos ideais, trazendo na bagagem apenas a chave, dos sentimentos reais...
As dificuldades, foram muitas, mas havia o amor bem a contento, disponível à vontade e à renúncia aos sentimentos recíprocos, nos braços da força mútua...
As brigas, ocasionadas no lar, insinuantes a querer destruir tudo, porém o elo inquebrantável, da harmonia, intercedia, quebrando orgulhos... E diante de cada vitória, a Fé conquistada naqueles corações plenos de amor, percebiam pratas a jorrarem sobre ambos, sob as bençãos do Senhor...
Inesperadamente, deu-se o princípio familia, chegando o primeiro rebento, e o dito "subtraendo" necessário a formação, a manifestar exemplos. Segundo tempo, novo membro da prole que aponta e o divisível gritando: Êpa, estou dentro!
e os dado entes felizes, ensinando, e aprendendo, nas somativas das manifestações... no despontar das tendências, perceptíveis em outros laços de afeição...
E o tempo correndo solto, passageiro e apresentador de surpresas, de suspenses e até transtornos...? Porém o amor fortalecendo, sempre no jeito da Fé religiosa, a dispensar conforto...
As chuvas de prata, não paravam de cair, encorajando a travessia, no luzente caminho... e um fruto temporão a surgir, de mansinho... Era a conclusão. A família completava-se, na conta que não cessava nos ganhos que se multiplicavam. Novo afeto, outra vida, que Deus a mim confiara...
Muitos choros e risos, muita crença foi preciso para o alcance da superação,
mas graças ao meu bom Jesus, nunca desanimei, diante de minha missão...
A vida se mostrara para mim, deverasmente enfadonha e no desânimo, rememorava velha frase conhecida de que a "Fé, transporta montanhas..."
Hoje, estou feliz, o companheiro aos olhos já não o tenho, mas o percebo, sorrindo
com brio, apontando as estrelas prateadas que colhemos por anos a fio...
Das Bodas todas as pratas, por nossos dias, das alegrias a Graça, em percebê-lo qual um anjo, desde o início, meio e, como a me encorajar ao fim, na caminhada... Qual garimpeiro, pleno em Prata, as ofertando pra mim...

Salve: 23/Fev./1985

____25 anos____

Lívi@petitto

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Roda Viva...


Há um tiroliroliro
uma roda, uma ciranda
há no ar folha volante
cujo verde é de esperança..
Um avião riscando o céu,
um parquinho de criança,
um carrossel,
uma nuvem passageira,
poeira, papel
Há um tempo se fechando
São Pedro emburrado
chorando,
e gente correndo na rua..
Há uma porta de escola,
criança que chora,
uma esmoleira nua..
Há um aleijado que se arrasta,
um vento de revolta,
há formigas na bolacha
uma garrafa de coca
Há uma poça no asfalto,
carro veloz, água que jorra
mulher correndo ligeira,
caindo do salto
Uma realidade conta piada
olhos que assiste, risos ameaça,
um pensamento se ressarça
que a vida sim, tem graça,
por onde passa, fazendo graça,
e cobra risada, por ser
de Graça..


Lívi@petitto

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Química do amor...


Revejo o nosso momento ousado,
quando imagens, repassam
de jeito sólido pelos meus olhos,
àquela porta principaL...
Visualizo aquele recinto tão rápido
e te sinto puxar-me para os
teus braços,
no teu jeito louco especiaL
O forno, pré-aquecido e as fórmulas,
dando-se a mistura,
na química, entre açúcar e saL...
Até o soL, adentrou aquela noite,
fez bronzeado com açoite,
nesse meu corpo imoraL...
Nas entranhas do tempo, as horas
em fôrma calórica, de porções
variadas, nesse universo sensuaL
e nos fizemos únicos...
Hoje, aqui me vejo
impregnada de desejo, nesse relógio
teórico,
onde a lua faz o dia, me arrefece
em grau e tempo, no meu
senso melancólico...


Lívi@petitto

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Depressão...


Os batimentos cardíacos indiciavam
fragilidade, naquele corpo estático
que na cama, se deixara,
no ceticismo de aspecto apático...

O silêncio cuidadoso, assistira
os pensamentos que alí predominava
enquanto bocas diziam apreensivas:
Pobre coitada...

O tempo pedira calma e paciência
e o tic tac seguia, em ponteiros lentos
surpresa e suspense, duplas contrárias
presentes naquele estabelecimento...

E o fantoche moribundo
sequer manifestava movimento,
e a tristeza, invadia a alegria
enquanto as irmãs, Fé e Esperança
inspiravam alento...

Positivo e negativo se debateram
instáveis, variáveis, constantes
e a certeza entre os sentimentos
vacilavam naquele instante...

E a brisa na janela, soprara de repente
deitando Paz sobre semblante amortecido,
e aquela alma, serenou naquele instante:
um breve sorriso...

Os sentidos uniram-se em harmonia,
vigor estranho a consciência provou
do manancial de Luz, que alí surgira...
Foi o testemunho da Fé, provando
que vida, é AMOR


Lívi@petitto

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cinzas...


Depois desse carnaval
faço uma cova, onde as cinzas
recolhidas do asfalto, enterrarei...
Cinzas de todo o suor, todas
as lágrimas junto as plumas e paetês..
Purpurinas e lantejoulas,
o brilho da alegria que tanto fez,
pintou-me de cor douras
levando-me a intensidade talvez...
Quatro dias foram poucos,
pelos tantos gritos roucos que dei,
agora revejo cinzas, nas quartas
de todo mês...
Então queimo as fantasias,
não sou arlequim, sou menina e brinco
de roda outra vez...

Lívi@petitto

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dando um tempo...


Se alguém perguntar por mim,
responda que de nada sabe,
que sair por aí,
a convite da caridade...

Se alguém ainda perguntar
por que decidir-me, a ir com ela,
diga que abandonei as quimeras,
pra ver de perto a triste realidade

E se alguém mais quiser saber
por que me dei a um tempo fora do virtual,
diga que o concluir, da forma como estou a
me sentir e que somente pela escrita,
as palavras me tornam subjetiva,
alheia ao sentido real...

Diga também que sei, serem vários
os caminhos, pra se levar a esperança
amiga,
mas que necessito mais de perto, senti-las...
Que é de minha vontade, abandonar meu egoismo,
pois que existem outras lágrimas
clementes por um sorriso...

Que a vida é uma troca e que da mesma forma,
que careço de um abraço,outros corações,
também carecem de afago,
do profundo sentimento que de dentro
de nós, se desemborca...

Eu, não estou indo embora,
só preciso me reencontrar e sinto que
levando um pouco de acalanto aos que
precisam, deles também vou ganhar e
que com o tempo, perceberei o de mim,
assim também dissipado...


Lívi@petitto

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Anonimato...


Esses corações anônimos
que chegam bem devagar
é a ânsia cheia de medo,
buscando um lugar pra ficar...

Talvez nem a si reconheçam
se ocultam, não se acreditam,
e na expressão de abandono,
pelo silêncio, optam...

Vive os sonhos da felicidade
e na descrença, se amordaçam,
ausentando-se da sociedade,
sentindo a vida, sem graça...

Esses corações anônimos,
trazem consigo, punhal fundo,
na dor que deveras sente,
ignora o amor, se largam no mundo...


Lívi@petitto

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Enquanto você descansa...


Te deixarei à sombra de uma árvore
confabulando com o horizonte,
enquanto saio a passear, em respeito
ao seu descanso...
Nada mais eu vou falar, ficarei com
o meu pensar, enquanto dos pássaros,
ouves o canto...
Não demore muito a chamar pelo meu nome,
me distraio, sou florista, poderei estar distante...
no amanhã, embalada pela brisa,
posso sim, estar esquecida de voltar,
e quem sabe a deleitar-me noutra árvore,
também a descansar...


Lívi@petitto

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O pão NÓS de todo dia...


Sei que você não se importa
com o meu EU
isto é próprio de você, pois
que só tens olhos para
o seu TU
quando negas algum
amor para com ELE...
e se te ausentas de NÓS,
é porque VÓS, não se dá
ao divisor entre ELES...


Lívi@petitto

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Remendos...


Por tantas noites venho recolhendo,
pedaços de mim que o vento espalhou,
trapos envelhecidos que tento cerzir
do pouco que de mim, ainda restou...

Partes feitas do silêncio, outras dos ruídos,
razão de lutas e sacrifícios, que juramentei
fragmentos hoje de necessários remates,
nas pausas que sequer lembro, onde parei...

Sim, tenho aprendido a recosturar
os rasgos de mim, em danos reparáveis,
juntando um a um, no passo a passo,
quando julgo, serem todos recicláveis...

São os meus mais íntimos retalhos
que me descreve na forma que sou,
sinais e cicatrizes, riscos de minh'alma
razão do meu existir, meu cobertor

Depois, de cada pedaço remendado,
bordarei escritos, nos refeitos que gerei
farei bordas coloridas, em rendas de fino trato
e tranquila sob o manto protetor, descansarei...


Lívi@petitto

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Divagando...


Ah esses pensamentos, cheios de incógnitas,
cheios de suspenses, me levando a divagar,
me promove o raciocínio, contra qualquer declínio
e o confuso a assoprar..

Sem passagens, me conduz a viagens infindas,
galgando o universo, apontando alternativas.
Me leva para o início, bem a começo de tudo,
mexendo nas minhas memórias guardadas
num tal de arquivos..

Me faz trabalhar por sequência,
a reparar minhas falhas
na correção das demências,
que minhas lembranças aclaram

Nas dúvidas que me assaltam
me envia ao pessoal, revejo dados
marcados no prontuário, informal
Alguns rabiscos ilegíveis e rasurados,
outros ainda, tangíveis e recuperados,
de uma era primordial

N'algum instante eu paro, sinto cansaço
brecando o pensamento, freio indagações,
Com ou sem respostas, dou um tempo,
acordando o absorto das minhas meditações...


Livi@petitto