quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Divergências...


Eles não sabem que o encanto
são brotos de flertes,
gerados por temperos atrativos
entre flores ramalhetes...

Falhas não visíveis, encobertas
papeis de sedas, embrulhadas,
em sentimentos despertos,
sob vestimentas disfarçadas...

Vislumbrados, não se reconhecem;
iludidos, se apaixonam e casam
e por sede de amor, se despem...
E no primeiro teste, se atrapalham...

Mas na paixão continuam atentos
cuidam-se e não se arrefecem,
olhos brilham inda a contento,
passam a borracha e esquecem...

E seguem vida a seu tempo,
invólucros se desembrulhando
eles dizem ainda que se amam,
mas não se aguentam, cansando...

Filhos, alegrias e torvelinhos
entre as somas, as diferenças,
e a lida lança passarinhos,
a cutucar as divergências...

As somas não fazem empréstimos
se apontam os de si mesmos,
paciência exibe seus versos,
mas o orgulho, não se dá inteiro...

Aos poucos o encanto esmorece,
perante o egoísmo indivisível
os múltiplos sofrem, entristecem,
em traços marcantes e indizíveis...

Relações fragmentadas,
buscam alívio, compensação
iludem-se noutras venturas,
desrespeitos e traição...

E a paixão queda em desânimo,
mágoas, marcas, feridas e cicatrizes...
E na lida insuportável, fecham portas,
optando pelas sombras, infelizes...

E esse amor onde esteve
que jamais se deu ao sacrifício?
Prostou-se em presilhas de rede
desassossegado e perdido...


Lívi@petitto