sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A criança de um dia...


Nasci como filha da ânsia e me foram
podados os caminhos.
Diziam ser de todo desordeiro, cheio
de caras e medos e me fizeram
dependentes de carinho...
Disseram que no mundo havia
muita maldade, que eu era bobinha,
e jamais distinguiria, o que era
um bem de verdade...
Não me diziam que a noite era para
o descanso,
diziam, que nela existiam fantasmas,
lobisomens de terno e gravatas,
gatunos e malandros...
Não buscaram conhecer minhas raízes,
fortalecer minha energia a me incentivar...
Romperam de mim a inocência,
sem falar das maravilhas e como o amor
conjugar...
Ensinaram-me a ser verdadeira,
e me faziam acreditar que o mundo,
era cheio de mentiras, que eu tinha
que desconfiar...
Mas eu era curiosa e por ser cheia
de prosa, tinha um mundo a desbravar.
Sozinha, descobri os encantos da lua,
não aquelas ciências da escola,
mas os sentidos que ela me dava...
Nunca fizeram-me perguntas, tudo tinha
que escutar e tanto pra falar...
Pois é... Foi nesse mundo feio, que pra não viver
de receio, me vesti de fantasia enquanto
a vida me sorria, criança permanecia...
Até que o tempo deu um salto, fez no ato,
mudança de palco, apagou todas as cores
e num breu de horrores, assustou a alegria,
e a criança se escondeu...
E voltei-me à estrela guia, d'um viver a renovar,
fiz cantos em versos na estrada rabiscar,

sem jamais perder a esperança,
pois que a minha criança, haverei de
reencontrar...


Lívi@petitto