domingo, 29 de agosto de 2010

Elas por elas...


Anjos me disseram, que eu tenho que viver.
De que jeito? De que forma?
Se frutos de minha rosa, fazem de mim,
o apetecer...
Antes tudo tão mais fácil, companheiro
do meu lado, com tanta vida por viver...
Hoje aqui sozinha, meio a esse turbilhão;
êta vida essa minha, que não sei o que fazer...
Poucos tem sido meus risos, um viver só de
conflitos e do tal do paraíso, me sobrou
o padecer?
Deixei de ser mãe, agora sou filha, talvez uma
ilha, cercada por elas...
Temem a perda de mim, assim como o pai:
Elas por elas!
Agora sou cobrada, sem poder sair sozinha...
Há um excesso de cuidado, como se eu
fosse velhinha...
É claro que me sinto querida, mas não quero
ser tolhida, sem a minha liberdade...
Ah, eu não mereço, até rezo um terço, pra não
cair em desânimo, quando preciso de ânimo.
Retiro o véu da obscuridade, saindo pela
cidade, desanuviando...
Entoando em assovio, as canções
que tocam no meu carro...
Ligada a tudo: Trânsito, transeuntes,
crianças, rumos...
Tantas coisas vejo e poemas exalo...
Volto para casa leve, tranquila, serena
e no pacote da memória, coisas novas,
cenas...
Eu as amo e, por não querer sufocá-las,
tento o desapego... Já não quero mais
sofrimento, sinto medo. Chega!
Por isso saio, pego carona com o vento,
uma palavra, sentimentos, frase que seja,
qualquer coisa do cotidiano, pra não cair
em tormentos.
Olhar os sinos que tocam lá fora,
é ausentar-me do agora, pegando carona
no tempo...
E tento no meu sorriso de mulher, ser uma
flor desabrochando, um reviver...
E como o mar, desemborco sobre elas
um bem querer...


Lívi@petitto