terça-feira, 20 de julho de 2010

Uma casa velha...


Ante a entrada, um jardim descuidado
uma roseira e somente uma rosa, que
se auto rega...
Do lado, um craveiro, apagado,
um ex apaixonado...
Lágrimas dela, jorram em cima dele
e ele jamais desperta.
Talvez um outro cravo desponte,
n'outro galho, deixando fluir uma pétala...

...E eu, uma casa velha de externo cuidado,
para que não seja vista em abandono...
Nas ombreiras da porta, teias de aranhas
os fios brancos, imersos nas tintas escurecidas,
a esconder os anos...
Adentrando, por favor, pise com cuidado,
há um piso rústico do passado, fazendo ruídos,
atualmente frágil...
No interior, as paredes são de vime, o ofício
necessitado de reparos...
Na essência, vestígio de umidade,
uma caixa semivogal, entonando gotas
de sensibilidade...
Nas instalações, a energia bombeada
por uma caixa de número cinquenta e dois,
em forma de coração...
Talvez um prato típico de arroz com feijão,
sem mistura, para eventual tempero...
Um dia, essa casa vai ruir, deixando liberto
o alicerce seguro que a manteve na jornada
alma em voo livre a sorrir, jamais deixando
um adeus, apenas um breve aceno, aos seus
laços cativos de eterna morada...


Lívi@petitto