domingo, 11 de julho de 2010

No sentido da noite...


Ao fim do dia, a tarde se entrega...
Dos gravetos recolhidos, uma fogueira.
No frio da noite, realçando seus açoites,
um fogo acende, mormente fé ligeira...

A velha estrada enseja forrar o chão,
dum campinzal, trança uma esteira,
na boca um assovio, quão passarinho,
soprando uma canção, contando estrelas...

Premente n'árvore, raios da minguante,
pela saudade dum sol quente, passageiro...
Rapina asas faz abano, suave chilros,
vendo o chorinho de si sozinho, prisioneiro...

E segue a noite lúcida, na brisa fagueira
no brando silêncio, da orquestra noturna,
ao som distante, o sustenido da ribeira,
corteja a oração no ciciar da deusa muda...


Lívia@petitto