quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mãos jardineiras...


Mãos que me foram fagueiras
que me direcionaram o caminho,
mãos, abençoadas jardineiras,
que me retiraram os espinhos...

E agora por onde é que andas,
que corações estais a afagar,
cuidando d'outros que chegam,
apascentando ovelhas a chorar?

Ah... Tenho sentido tua falta,
do teu colo a me acalentar,
meu rosto, junto ao teu seio
e meus cabelos, a pentear...

Tuas mãos nas minhas mãos
a contar todos meus dedos,
do midinho ao cata piolho,
sorrindo a distrair-me dos medos...

Nas pernas, tantas chineladas
com tuas mãos, marcas deixadas
eu sei bem, que fui malcriada
fazendo por merecer as lapadas

Ah, quanta saudade eu sinto...
Lembrando do teu dedo sentencial,
impondo-me às chamativas, atenta,
me apontando o castigo referencial...

Nas suas infindáveis palavras,
eu achava que jogavas pragas,
hoje sei, eram estranhas advinhas,
que na sua vivência, apregoavas

Dizias que eu iria ter dez Lívias
para eu saber o que era uma
e eu tive 3, ao quadrado nove,
a décima sou eu, a dita cuja...

Ah mãe, eu bem que queria,
aquela tua bolinha de cristal
parecia que de tudo entendias,
diacho! Você sabia do final...

E agora me digas, o que eu faço
com minhas más traçadas linhas?
já experimentei a dita bolinha
mas elas não me retornam adivinhas...

O mundo hoje está tão diferente
antes era tudo mais poesia
hoje filhos, mesmo dependentes
teimam a vida em revelia...

Ora por mim mãe querida,
me assista, de onde estiver,
perdoe-me os erros do passado
e interceda por mim, se conta eu não der.

E agora entre lágrimas, assim eu peço:
Olhe-me daí, como a antiga criança
segura nas tuas mãos os meus pés,
me assista a travessia e devolva-me
a esperança...


Lívi@petitto