quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ingrata!


Menina, como não sabes de mim estando
ciente de que vivo em constante nostalgia?
Como podes dizer que me procuras
se foi tu quem me deixaste na rua das amarguras?
É aqui que estou largada a chorar, sentada à beira
da calçada na espera de que venhas me buscar...
Os ais de mim ressecaram, fonte salina,
que não mais mina, esgotaram...
Estou estática!
Entre as folhagens, meio às formigas sem te sentir.
Sou o teu peso!
Quanto a tu, creio que devas estar na outra rua,
a dos desejos...
Quisera eu pudesse ir contigo à praça dos sonhos
subindo a alameda da liberdade.
Deixaria para trás a saudade e iria a procura
da felicidade...
Mas tá longe, somente tu podes voar...
Esse lugar, um corpo apenas não alcança, na primeira
travessa da Fé, na eterna bonança...
Como posso, se sou a roupa que te veste que bem
retrata o próprio agreste, razão de tuas próprias
desventuras?
Tenho deixado de ser compreendida, pessoas falam
comigo, sequer respondo, porque sem o que me rege,
jamais transponho...
Você está ausente, de mim a todo instante,
não me leva contigo, para que eu te acompanhe.
No mísero tempo que ficas comigo, te percebo
no clic do momento, virando bruxinha, fazendo magia,
embarcando no voo da poesia...
Pronto. Lá vai você novamente nas tuas aventuras,
me deixando deprimente aqui, na dita rua das amarguras.
Peço que depois, não me retornes a pergunta:
Onde era mesmo que eu estava?
Somente tu sabes. Alma ingrata!


Lívi@petitto