sexta-feira, 4 de junho de 2010

CORRER RISCOS = SAÚDE EMOCIONAL

O texto que segue abaixo, é de autoria de
minha filha do blog: Space to Remember

Visite: http://scrapsfromjuzinha.blogspot.com/
e atualmente concluindo o ultimo ano de Psicologia.
Agradeço a sua presença.
Por Juliana Apetitto

Na vida não há como viver de verdade sem correr riscos. Se você passar por uma existência inteira evitando os riscos, na verdade, você nunca viveu e sim existiu.

Quando você vai dirigir um automóvel, você corre diversos riscos. Quando você anseia exercer uma profissão em que sua cidade não fornece subsídios para esta realização, não deixa de ser necessário ir atrás daquilo que você almeja; mas caso você opte não viver seu sonho apenas pelo receio de não dar certo, não aguentar a pressão, entre outros motivos manifestos ou latentes, você nunca saberá se daria certo ou não. Por isto a importância de correr riscos. Realmente, nem sempre tudo acontece como desejamos; mas você concorda comigo que, em casos como estes citados acima, o sofrimento é inevitável? Se você não lutar pelo o que deseja, vai sofrer do mesmo jeito, mas por não saber o que poderia acontecer se não existisse o medo de tentar.

Eu tinha uma enorme insegurança para lidar com as crianças, pois eu não sabia como agir com elas, se seria aceita ou faria papel de tola ou utópica. Porém, este ano aceitei o desafio em trabalhar os “Contos de Fadas” com crianças de quatro anos em uma Instituição, pois além de vencer uma dificuldade que eu tinha, eu estaria aprendendo muito com as crianças que sempre têm muito a nos ensinar. E tem sido maravilhoso, aliás, eu adoro ser chamada de "Tia Ju" com tanto carinho e doçura por aqueles pequeninos. Bom, mas relembrando que uma parcela do desenvolvimento da personalidade humana é construído na infância, temos consciência que o alicerce do indivíduo adulto que possui insegurança em alto nível, começou lá atrás, na mais tenra idade.

E ao trabalhar os contos de fadas com as crianças, eu pude perceber que histórias como Chapeuzinho Vermelho, Patinho Feio, João e Maria, Os Três Porquinhos, entre outros contos, possibilitam que sejamos flexíveis emocionalmente, capazes de reagir adequadamente a situações difíceis na idade adulta, assim como criar soluções para nossos impasses, pois as histórias ficam arquivadas na mente inconsciente ou pré-consciente do indivíduo. E para Corso (2006), as histórias não garantem a felicidade nem o sucesso na vida, mas ajudam por serem exemplos de metáforas que ilustram diferentes modos de ver a realidade. E quanto mais variadas e extraordinárias forem as situações que cada história aborda, mais se ampliará a gama de abordagens possíveis para os problemas que afligem os seres humanos.

De acordo com Hammed (1998), a insegurança traz como característica psicológica os mais diversos tipos de receio, como o de amar, o da mudança, o de lutar pelos seus ideais, o da solidão, o de defender suas idéias em público por medo da rejeição, o da inadequação social, entre outros. Tudo isso porque a pessoa não acredita no seu poder interior, em seu valor pessoal diante da vida.

Porém, qualquer um pode alterar o seu destino. Se você é inseguro, não precisa ser inseguro pelo resto da vida. Você não necessita depender dos outros completamente para viver e realizar suas metas e sonhos. Entretanto, vale ressaltar que, certa dependência emocional está incluída em muitos relacionamentos, inclusive os saudáveis. Aliás, todos nós somos dependentes de quem nos relacionarmo-nos, mas o assunto em pauta é a dependência excessiva aliada à insegurança. Essa é prejudicial e o inseguro pode vencer sua insegurança à medida que passar a ser franco e dizer tudo o que pensa, obtendo a valentia necessária de correr os riscos que todo relacionamento impõe.

O autor do Código da Inteligência, Augusto Cury, nos alerta que “devemos saber que realizar sonhos, conquistar pessoas e atingir excelência profissional impõe riscos diários. Por exemplo, para arrebatar o coração de um ser amado é necessário, entre outras coisas, surpreender, encantar, ser afetivo, intuitivo. Mas há riscos.” E por mais cuidados que se tenha, diariamente inúmeros riscos nos rondam.

“A hesitação torna o ser humano impossibilitado o bastante para se sentir firme para agir. Nunca possui certeza suficiente e quer sempre se certificar das coisas antes de tomar alguma atitude. Os inseguros não são assertivos; em outras palavras, não se expressam de modo direto, claro e honesto. Omitem defesa a seus direitos pessoais por medo e evitam situações em que precisam expor suas crenças, sentimentos, idéias e até mesmo desejos” (Hammed, 1998).

Em suma, acredito que na vida precisamos nos desvencilhar de todo e qualquer tipo de idéia conservadora (pois sendo assim você está sempre estagnado no mesmo lugar), pré-estabelecida, opinião de terceiros, etc. Você deve ouvir o seu coração acima de tudo e agir de acordo com o que acredita ser certo, e não naquilo que disseram para você fazer. E é primordial ter a consciência que correr riscos é natural e inerente à vida humana. Nascer já é um risco. Sair de casa é um risco. Dirigir é um risco. Fazer uma viagem de avião, carro, ônibus ou até mesmo caminhão, é um risco. Dar aula é um risco, pois você pode ser duramente criticado, mas também pode ser ovacionado.

E aí?! O que você vai fazer daqui pra frente? Eu faria como esse cãozinho do gif... Vou em frente que a vida não espera por mim, pois o relógio não pára! :)