terça-feira, 4 de maio de 2010

trasladas horas...


Traços e rastros na travessa da cidade
dita metrópole que o tempo condena.
Roncos, buzinas, tensão e balbúrdia
vozerios inquietantes, quanta persistência!

A longa e larga avenida fez-se principal
eu, de plantão na guia como policial
e lá se vai aquela criança, sequer
atende o sinal...
Corre menino, antes que a ti alcance,
aquele caminhão da transversal...

Pancada em sino, triângulo irritante
é o pipoqueiro perambulante,
sequer percebe mulher na agita:
hei! cuidado com o homi, seu motorista!

Papeis voam lá de cima daquele arranha
céu e ainda mais acima, passa um avião,
senhor de idade, cansado e trôpego,
de voz embargada: S.O.S o ladrão!

Pobre mendigo de quatro ao chão
ciscando com pombos, migalhas de pão
chega o seu guarda, sai vagabundo!
e segue o abutre, poeira estação...

Um sinal é rompido, um freio atrevido
um corpo jogado, cuspido ao chão.
Safado culpado! não ver onde andas?
Alma levanta secreta, aos olhos
da compaixão...

A Igreja repica seis badaladas
eufórica ansiedade volta pra casa,
o mendigo retorna, o lixeiro trabalha,
e nos braços da noite, solidão se cala...


Lívi@petitto