terça-feira, 13 de abril de 2010

Jogando Xadrez com a vida...


Ela dizia que jamais faria parte
de um jogo de Xadrez,
e mal sabia, que vivia debaixo de humilde
telhado, onde era sua torre e que no chão
axadrezado, fazia seu traçado ao lado
do seu rei...
O que muito bem fazia, era o Jogo da Velha
quando concluia um risco de três dando fim
de partida a suas piorras, voltando depois
para o borralho...
Ela não acreditava em Quiromancia, nem em
Jogo de Tarot, o que dirá em Loteria,
mas confiava suas cartas de baralho a seu
criado mudo, serviçal prestimoso, que mantinha
guardado, em seu gavetário escuso,
miscelâneas de segredo...
Mas adorava o jogo de Pega-varetas, via nas
encruzilhadas, desafios e nos insight motriz,
cantava suas operetas...
No jogo de Dama, temia consumir a suas peças
afinal, era matriz e as guardava no bolso de sua
bermuda, como puzzle de resultas...
Ela não admitia jogar com a vida, e mal conta
se dava de que a vida, jogava com ela e eis
que de súbito, um lamento surgiu
-Já sei, Xeque-mate! meu rei...
Em dado momento de angústia,
chamou suas piorras, orou a seus bispos
e murcha, trancafiou-se junto a seu criado,
no calabouço do seu quarto, cujo passado
fez-se emergido daquele gavetário.
E a alma partiu, montada no cavalo de seu
monarca, esfregando os olhos, no misto de suas
lágrimas...

Esta alma é de mim, que penso estar
de retorno à casa, talvez...
Trazendo na mala algumas revelações:
lágrimas enxugadas, lenço borrado
das passadas lamentações...
Não sei como, acho que renascendo,
essa alma permite que assim eu me sinta,
como que renovando, saindo das cinzas...


Lívi@petitto