terça-feira, 10 de novembro de 2009

Miragens...



Hoje quero apenas rabiscar, escrever um texto, cheio de pretexto algo não real ao meu pensar, confuso de mim mesmo, na criança a me habitar... Talvez, nas minhas meras certezas, eu encontre incertezas, para me desiludir... Um isto ou aquilo, ratos selvagens com cara de esquilos, como elefantes e tamanduás, de ferramenta comprida, nas ventas, pra outro sentido se dar. Uma miragem, de incrível travessia, uma viagem... Um texto escrito, num estalar de dedos, de pronto, por caminhos diversificados e que, na velocidade do pensamento, eu possa estar em vários lugares ao mesmo tempo, pegando carona com o vento. Um visual diferente, assim como eu, de momento incoerente, ilógico, abraçada aos incógnitos, que por ventura encontrar e até mesmo, o de achar, que a morte é abstrata.
Dizer que Deus só deu asas a quem sabe voar... interessante isto, vez que o avestruz as tem e não se joga no ar, mas de intensa maratona, com duas patas apenas, corre ligeira, sem parar, contrariando a tartaruga, tão devagar, mas ambas a esconder suas caras... razões? Sim. Elas têm, então, deixa pra lá! Não quero falar da razão, somente observar, como vejo neste instante, acolá, um louva deus escondido, meio a planta trepadeira, por sobre um caramanchão, a suportar feito tolo, uma videira, com cara de chuchuzeiro. É, aqui estou de fato confundida, que por sob aquela trepadeira, de sombreado escuro, em céu morto, que bichinho será aquele, louva deus ou gafanhoto, a insinuar esperança... De que esperança se pode falar, se diante d'um gambá, o mundo some, não sabe dele o perfume, enquanto um porco se come. Se pra tudo, faz sentido, uma reta é um risco, como um beco desconhecido, não se dar a travessia, pois nas quantas ruas virada, por intenção de atalho, até chegar ao extremo, denota um trajeto falho, sem sentido, sem saída...
Não tenho asas, mas veja que contradição: estou a voar e daqui de cima vejo o mar, transparente e límpido, repletos de seres vivos a nadar e, muitas vezes penso, que a noite, me parece dia, como o dia, me parece noite e neste instante, a contemplar naquelas águas, o céu, que se fez por mergulhar. Será delírio da minha alma o que daqui, estou a mirar? Bendita seja a estrela Dalva, na praia, apagada, que nunca mais, ninguém ouviu falar...

Lívia Apetitto


...................................................................................................